Prisão de Bolsonaro gera reação no governo e reforça debate sobre golpe

Ministros afirmam que decisão do STF segue o devido processo legal

Prisão de Bolsonaro gera reação no governo e reforça debate sobre golpe
Polícia Militar reforça segurança após prisão de Jair Bolsonaro na capital federal/ Valter Campanato/Agência Brasil
Publicado em 23/11/2025 às 7:00

Da redação de LexLegal

A repercussão da prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro chegou rapidamente ao Palácio do Planalto e provocou manifestações de ministros próximos ao presidente Lula. Neste sábado (22), a ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, afirmou que a medida atende aos requisitos legais estabelecidos pelo Supremo Tribunal Federal e pela Procuradoria-Geral da República no processo que trata da tentativa de golpe de Estado. “A decisão do ministro Alexandre de Moraes está fundamentada nos riscos reais de fuga do chefe da organização golpista, na iminência do trânsito em julgado de sua condenação para cumprimento da pena”.

Leia também: Bolsonaro ficará em cela da PF com 12 m², frigobar e banheiro privado

Segundo Gleisi, o magistrado também considerou episódios anteriores envolvendo pressões e ações voltadas a constranger instituições, citando momentos do processo marcados por atos classificados como tentativas de coação. “Na democracia, a Justiça se cumpre”, disse a ministra.

Outro integrante do governo a comentar o caso foi o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos. Nas redes sociais, ele destacou: “Ninguém está acima da democracia”. Para o ministro, a prisão representa um marco histórico: “Ninguém pode trair a pátria impunemente. Que a prisão de Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado represente um grande marco para nossa história: Ditadura nunca mais!”.

Horas antes da prisão, Boulos já havia criticado a fuga de aliados do ex-presidente investigados no mesmo contexto. Em publicação, mencionou que “fugiram do Brasil para escapar da cadeia”, citando Carla Zambelli, Eduardo Bolsonaro e Alexandre Ramagem. O ministro ainda questionou se Bolsonaro teria feito o mesmo, caso não estivesse em prisão domiciliar.

A prisão preventiva do ex-presidente foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes após a convocação de uma vigília nas proximidades da residência onde Bolsonaro cumpria prisão domiciliar. Para o magistrado, a mobilização poderia criar tumulto e favorecer uma possível tentativa de fuga. Ele também informou que houve, durante a madrugada, tentativa de violação da tornozeleira eletrônica usada pelo ex-presidente.

Veja também: Fazenda reduz projeção do PIB de 2025 e aponta efeito dos juros altos

A audiência de custódia está marcada para este domingo (23), e a defesa afirmou que recorrerá da decisão. Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão no processo do Núcleo 1 da trama golpista e pode ter a pena executada em breve. O ex-presidente estava em prisão domiciliar desde 4 de agosto, após descumprir medidas cautelares impostas pelo Supremo, como uso obrigatório de tornozeleira eletrônica, proibição de acessar representações diplomáticas e restrição ao uso de redes sociais, direta ou indiretamente.

SÃO PAULO WEATHER