Presidente do Paraguai apoia classificação de PCC e CV como grupos terroristas

Presidente do Paraguai apoia classificação de PCC e CV como grupos terroristas
Santiago Peña endossa plano dos EUA; governo Lula resiste à medida que mira facções brasileiras/Agência Brasil
Publicado em 12/03/2026 às 16:00

Da redação de LexLegal

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, afirmou nesta quinta-feira (12) ser favorável à classificação das facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A declaração, dada ao jornal Valor, alinha Assunção à estratégia do governo de Donald Trump, que vê os grupos como ameaças críticas à estabilidade da América Latina.

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Para Peña, o enquadramento endurece o cerco contra a expansão criminosa em solo paraguaio. “A opinião do Paraguai é favorável, por isso nós tomamos a decisão no ano passado de designar essas duas organizações como grupos criminosos. E obviamente para nós é uma grande preocupação, porque tínhamos uma presença muito ativa de ambas as organizações no território paraguaio”, explicou o presidente.

A movimentação de Washington, no entanto, esbarra na resistência do Palácio do Planalto. O governo de Luiz Inácio Lula da Silva opõe-se à mudança, fundamentado na legislação internacional que diferencia crime organizado de terrorismo. No último domingo (8), o chanceler Mauro Vieira e o secretário de Estado americano, Marco Rubio, discutiram o tema por telefone, mas sem consenso.

Especialistas alertam que a etiqueta de “terrorista” pode ter efeitos colaterais no mercado financeiro e na soberania nacional, sem garantir eficiência prática no combate ao tráfico. Enquanto parlamentares de oposição no Brasil defendem a medida para endurecer penas, a diplomacia americana afirma que o PCC e o CV são responsáveis por níveis intoleráveis de violência e crime transnacional.

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O Departamento de Estado dos EUA ainda não definiu um prazo para oficializar a designação. Se confirmada, a medida permite sanções financeiras severas e restrições globais aos ativos ligados às facções. No Paraguai, a cooperação com agências americanas já foi intensificada na fronteira seca com o Brasil, visando asfixiar a logística das quadrilhas na região.

SÃO PAULO WEATHER