Porto de Santos vive corrida de exportadores antes de tarifas dos EUA

Porto de Santos vive corrida de exportadores antes de tarifas dos EUA
Reunião em Camarões expõe impasse na OMC e amplia pressão por acordos paralelos de livre comércio/Minfra
Publicado em 19/07/2025 às 17:00

Da redação de LexLegal

Desde o anúncio do governo norte-americano, em 9 de julho, sobre a aplicação de tarifas de 50% sobre produtos importados do Brasil, o Porto de Santos tem registrado uma verdadeira corrida contra o tempo. Exportadores brasileiros, principalmente do setor de proteínas animais, estão acelerando embarques rumo aos Estados Unidos antes que as novas taxas entrem em vigor em 1º de agosto.

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Segundo dados divulgados pela Autoridade Portuária de Santos, o volume de carnes bovina, de frango, suína, miúdos e demais derivados embarcados por contêiner aumentou 96% nas duas primeiras semanas do mês. A exportação de café para os EUA também apresentou alta de 17% no período. Até mesmo a celulose teve crescimento expressivo, com 50 mil toneladas embarcadas — volume superior ao registrado nos meses anteriores.

O movimento intenso tem refletido diretamente na logística terrestre. O tráfego de caminhões com destino ao terminal portuário cresceu cerca de 70%, conforme apontou o presidente da autoridade portuária, Anderson Pomini.

“Percebemos uma corrida dos exportadores para escaparem da tarifa dos 50%”, afirmou Pomini.

O dirigente participou nesta semana de uma reunião com o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, ao lado de empresários e outras autoridades, para discutir os impactos da medida norte-americana.

Responsável por aproximadamente 30% da corrente comercial brasileira, o Porto de Santos é o maior da América Latina. Os Estados Unidos figuram como o segundo maior destino das mercadorias que saem do terminal, ficando atrás apenas da China. A distribuição percentual dos principais destinos do porto é liderada por China (47,1%), seguida por Estados Unidos (22,2%), Alemanha (8%), Índia (5,3%) e Japão (5%). Outros países somam 12,4% do total.

As novas tarifas fazem parte de uma rodada de pressões do governo dos EUA, encabeçada pelo presidente Donald Trump, que condiciona a suspensão da medida à interrupção da ação penal contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, investigado pelo Supremo Tribunal Federal por tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Além disso, o governo norte-americano deu início a uma investigação sobre práticas comerciais brasileiras, como o uso do sistema Pix.

Em pronunciamento em rede nacional na noite de quinta-feira (17), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva condenou as ações de Trump e classificou o gesto como uma ameaça inaceitável à soberania brasileira:

“Fizemos mais de 10 reuniões com o governo dos Estados Unidos, e encaminhamos, em 16 de maio, uma proposta de negociação. Esperávamos uma resposta, e o que veio foi uma chantagem inaceitável, em forma de ameaças às instituições brasileiras, e com informações falsas sobre o comércio entre o Brasil e os Estados Unidos”, afirmou Lula.

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A escalada das tensões comerciais e diplomáticas reacende o debate sobre a dependência brasileira de mercados concentrados e reforça a urgência por estratégias de diversificação de parceiros comerciais. Enquanto o impasse permanece, empresas tentam escoar o máximo de carga possível antes do aumento tarifário — num esforço logístico que deve manter o Porto de Santos em ritmo acelerado até o fim do mês.

SÃO PAULO WEATHER