Polícia Federal alerta para risco de suspensão na emissão de passaportes por falta de verba

Polícia Federal alerta para risco de suspensão na emissão de passaportes por falta de verba
Ministério da Justiça afirma atuar para garantir recursos e evitar nova interrupção do serviço essencial, que já foi suspenso em 2017 e 2022 por contingenciamento orçamentário/Polícia Federal/ Divulgação
Publicado em 26/10/2025 às 8:00

Da redação de LexLegal

Polícia Federal (PF) poderá interromper a emissão de passaportes até o fim de 2025 caso não haja suplementação orçamentária para manter o serviço ativo. O alerta foi confirmado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), que reconheceu o risco de paralisação por falta de verba e disse estar atuando “de forma ativa e coordenada” para garantir a continuidade do atendimento à população.

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“A pasta acompanha de perto a situação orçamentária e mantém diálogo constante com a área econômica do governo federal para viabilizar os recursos necessários à manutenção do serviço”, informou o ministério em nota.

Risco de nova suspensão

Essa não seria a primeira vez que o Brasil enfrentaria paralisação na emissão de passaportes por insuficiência de recursos públicos. Em junho de 2017 e novamente entre novembro e dezembro de 2022, a PF foi obrigada a suspender temporariamente o serviço, o que gerou filas, prejuízos a viagens e forte repercussão política.

Em ambos os episódios, a solução veio apenas após liberação emergencial de créditos suplementares pelo Ministério da Economia, o que permitiu regularizar os atendimentos e ampliar o orçamento destinado à Casa da Moeda, responsável pela confecção dos documentos.

A repetição da situação em 2025 expõe fragilidades na execução orçamentária da PF e reacende o debate sobre a autonomia financeira de serviços essenciais.

Impacto social e jurídico

A emissão de passaportes é considerada serviço público essencial, vinculada diretamente ao direito de locomoçãoprevisto no artigo 5º, inciso XV, da Constituição Federal, que assegura a todos os cidadãos o direito de “ir e vir”.

A eventual suspensão, ainda que temporária, pode restringir o exercício desse direito fundamental, afetando viagens de estudo, trabalho, tratamento médico e imigração familiar.

Especialistas em Direito Administrativo apontam que o Estado tem o dever jurídico de garantir a prestação contínua de serviços essenciais, mesmo em cenário de contenção fiscal.

“A interrupção de um serviço essencial, como a emissão de passaportes, pode gerar responsabilidade administrativa e até judicial, caso cause dano a cidadãos que dependem do documento”, explica o advogado público e professor de Direito Constitucional, em análise à LexLegal.

Polícia Federal depende de dotação específica do Orçamento da União, vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, para financiar a confecção dos documentos.
Esses recursos cobrem custos de produção, logística, pessoal e contratos com a Casa da Moeda do Brasil, empresa pública responsável pela impressão dos passaportes.

Com o crescimento da demanda e o encarecimento de insumos, especialmente após a pandemia, o orçamento reservado à PF tem se mostrado insuficiente para cobrir o volume anual de emissões, estimado em mais de 3,5 milhões de passaportes por ano.

O cenário é agravado pelo teto de gastos e pelas restrições de execução orçamentária, que obrigam o governo a priorizar despesas discricionárias, muitas vezes em detrimento de serviços considerados não emergenciais pela área econômica.

Valor das taxas e autofinanciamento

Atualmente, o custo para emissão de um passaporte comum é de R$ 257,25, podendo chegar a R$ 514,50 em casos de emissão de urgência.

Embora as taxas arrecadadas sejam significativas — estimadas em mais de R$ 800 milhões anuais —, elas não ficam integralmente com a Polícia Federal, pois são recolhidas ao Tesouro Nacional e redistribuídas conforme o planejamento orçamentário do governo.

A falta de vinculação direta entre a arrecadação e o custeio do serviço é um dos principais gargalos apontados por entidades de classe e servidores da PF, que defendem um modelo de autofinanciamento, similar ao utilizado por outros órgãos, como o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) e a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Governo busca solução emergencial

Ministério da Justiça reiterou que a emissão de passaportes é prioridade, e que todas as medidas administrativas estão sendo adotadas para evitar qualquer paralisação.

A pasta informou manter negociações com o Ministério do Planejamento e com a área econômica para garantir crédito suplementar ainda no quarto trimestre de 2025, permitindo a continuidade da produção até o fim do exercício fiscal.

Nos bastidores, fontes do governo reconhecem que a recomposição orçamentária dependerá de remanejamento interno e possivelmente de aprovação legislativa de créditos adicionais, caso a arrecadação federal não apresente melhora significativa.

Nas suspensões anteriores, a Defensoria Pública da União (DPU) chegou a ingressar com ações judiciais pedindo que a União fosse obrigada a retomar o serviço imediatamente, sob pena de multa.
Em 2017, a Justiça Federal chegou a determinar a liberação de recursos emergenciais diante da repercussão nacional.

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Caso a paralisação se repita, o cenário jurídico pode ser semelhante, com ações civis públicas e mandados de segurança individuais impetrados por cidadãos impedidos de viajar. Além do desgaste político, uma nova interrupção poderia afetar a imagem internacional do país, especialmente em um momento de aumento de demanda por vistos e intercâmbios.

SÃO PAULO WEATHER