Podcast de LexLegal recebe JusBrasil para discutir IA generativa na atividade jurídica

Podcast de LexLegal recebe JusBrasil para discutir IA generativa na atividade jurídica
O editor de LexLegal, Luciano Teixeira, conversa com Gabriela Migliorini, gerente de produto do Jusbrasil. A especialista analisa como a inteligência artificial generativa está mudando a forma como advogados pesquisam, analisam e tomam decisões/LexLegal
Publicado em 30/06/2025 às 11:28

Da redação de LexLegal

A inteligência artificial deixou de ser uma promessa distante e passou a ocupar um papel central nas rotinas jurídicas. E é essa transformação que o podcast da LexLegal busca mapear em sua primeira temporada. No quinto episódio da série “IA – A revolução que vai transformar o mundo jurídico e do trabalho”, a convidada é Gabriela Migliorini, gerente de produto do Jusbrasil, uma das principais plataformas de busca jurídica do país.

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Com o título “Impacto da IA generativa na atividade jurídica”, o episódio se debruça sobre os efeitos concretos da inteligência artificial generativa nas rotinas de escritórios e departamentos jurídicos, com foco na automação de tarefas, na facilitação da pesquisa jurídica e na reconfiguração das atividades estratégicas de advogados e juristas.

“A gente começou a enxergar formas de usar a inteligência artificial generativa tanto pra aproximar o direito de quem não entende do Direito quanto pra construir soluções que tornem o dia a dia do operador do Direito mais eficiente e mais focado na tomada de decisão”, afirma Gabriela Migliorini logo no início do episódio, ao explicar a missão do Jusbrasil ao incorporar essas novas tecnologias em seus produtos.

IA generativa no cotidiano jurídico

O episódio faz parte de uma jornada mais ampla de oito programas que abordam o papel da IA na transformação do setor jurídico e nas profissões que orbitam esse ecossistema. Longe de adotar uma linguagem técnica ou exclusivista, a proposta da LexLegal é traduzir debates complexos em conversas acessíveis, com base na experiência prática dos convidados.

Gabriela Migliorini destaca que a IA generativa — um tipo de inteligência artificial capaz de produzir textos, resumos, análises e até peças jurídicas a partir de comandos simples — tem potencial para descongestionar o trabalho dos operadores do Direito. Isso porque, segundo ela, grande parte das tarefas jurídicas ainda envolve processos repetitivos e altamente documentais, que podem ser automatizados com segurança e eficiência.

“A gente está falando de um recurso que consegue gerar valor tanto para o advogado júnior que precisa ganhar tempo quanto para o gestor que precisa tomar decisões com base em dados organizados e sistematizados”, reforça Migliorini durante o episódio.

Democratização da informação jurídica

Além da eficiência, outro tema recorrente no episódio é a democratização da informação jurídica. Migliorini lembra que um dos principais desafios enfrentados por cidadãos comuns no Brasil é justamente o acesso a informações legais confiáveis e compreensíveis. A IA generativa, nesse sentido, aparece como uma ponte entre o juridiquês e o entendimento popular.

“Esse é um ponto sensível: como o cidadão pode se defender ou exercer seus direitos se ele não consegue entender o que está escrito? A inteligência artificial pode — e deve — ser usada para traduzir o Direito em algo acessível”, afirma.

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Segundo a gerente do Jusbrasil, os algoritmos generativos vêm sendo testados para reescrever decisões judiciais em linguagem simplificada, ajudar na construção de petições com base em precedentes e até sugerir estratégias de acordo com padrões jurisprudenciais.

Segurança, limites e regulação

No entanto, a adoção da IA generativa no meio jurídico não vem sem ressalvas. O episódio também aborda os limites éticos, técnicos e regulatórios da tecnologia. Migliorini reconhece que a confiança do profissional jurídico na ferramenta está diretamente relacionada à transparência dos algoritmos e à rastreabilidade das fontes.

“Um erro gerado por IA pode comprometer toda uma estratégia jurídica. Por isso, as plataformas precisam oferecer mecanismos de validação, indicar de onde vêm os dados e garantir que as sugestões estejam dentro do que é juridicamente aceitável”, pondera.

Ela também menciona que o Jusbrasil tem investido fortemente na curadoria e validação de dados jurídicos utilizados pelos sistemas de IA. “Não se trata de substituir advogados, mas de oferecer uma base sólida para que eles tomem decisões mais bem informadas”, resume.

Formação jurídica e novos profissionais

Outro destaque da conversa é o impacto da IA generativa sobre a formação jurídica. Com a automação de tarefas operacionais, espera-se que o novo profissional do Direito desenvolva cada vez mais competências analíticas, tecnológicas e de comunicação estratégica.

“A formação tradicional do advogado vai ter que dialogar com habilidades que antes eram consideradas periféricas. Saber programar, interpretar dados ou mesmo conversar com máquinas por meio de prompts bem estruturados será um diferencial”, diz Gabriela.

Essa reconfiguração das habilidades esperadas também abre espaço para novas carreiras híbridas no setor jurídico, como legal designers, engenheiros jurídicos e especialistas em governança algorítmica.

A nova advocacia e a cultura de dados

A entrevista com Migliorini amplia a reflexão proposta pela temporada do podcast: o avanço da IA não é apenas uma questão de automação, mas de mudança cultural. Escritórios e departamentos jurídicos que resistirem à transformação tecnológica podem perder competitividade e relevância.

“A cultura de dados precisa estar no centro da estratégia jurídica”, afirma a gerente do Jusbrasil. Segundo ela, é preciso abandonar a ideia de que tecnologia e Direito estão em campos opostos. “É um novo paradigma. O Direito que se fecha ao mundo digital corre o risco de se tornar anacrônico”, completa.

Veja também: Segundo episódio do podcast de LexLegal explora a revolução da IA no Direito, com Alexandre Zavaglia

Sobre o podcast de LexLegal

A série de oito episódios do podcast da LexLegal tem se consolidado como uma das principais fontes de informação e debate sobre inteligência artificial aplicada ao setor jurídico no Brasil.

O episódio com Gabriela Migliorini já está disponível nas principais plataformas de streaming de áudio e no site da LexLegal.

SÃO PAULO WEATHER