Pix rompe fronteiras e já é usado em pagamentos no exterior: entenda como funciona

Pix rompe fronteiras e já é usado em pagamentos no exterior: entenda como funciona
Banco Central diz que falha expôs dados cadastrais e abre investigação sobre braço financeiro da Pernambucanas/Agência Brasil
Publicado em 04/08/2025 às 7:00

Da redação de LexLegal

Durante as férias de julho, a dentista Tuanny Monteiro Noronha, de Brasília, se surpreendeu ao usar o Pix fora do Brasil. Em uma viagem ao Paraguai e à Argentina, ela pagou praticamente todas as compras e refeições com o sistema de transferências instantâneas criado pelo Banco Central do Brasil (BC). “No Paraguai, quase todas as lojas aceitavam Pix, mais de 90% delas. Já em Buenos Aires, poucos restaurantes não tinham a opção”, conta.

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A experiência de Tuanny reflete uma realidade cada vez mais comum: o Pix, lançado em 2020, está se consolidando como meio de pagamento também no exterior. Embora o sistema não permita transferências diretas para contas de outros países, empresas privadas conhecidas como fintechs (instituições que integram tecnologia e serviços financeiros) criaram soluções que possibilitam a utilização do Pix em viagens internacionais.

Como o Pix funciona fora do Brasil

Segundo Alex Hoffmann, CEO da empresa PagBrasil, especializada em processamento de pagamentos digitais, a lógica é simples: “O lojista digita o valor em moeda local na maquininha e um QR Code do Pix é gerado. O cliente escaneia o código com o celular e o valor é convertido automaticamente em reais, com o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) já embutido”.

Essas operações só são possíveis graças a parcerias entre fintechs brasileiras e as chamadas adquirentes – empresas responsáveis por viabilizar pagamentos em maquininhas. É um processo que envolve intermediários financeiros, conhecidos no mercado como eFX, que recebem o Pix no Brasil e fazem a remessa internacional ao lojista.

“Essa solução já está presente em países como Paraguai, Argentina, Uruguai, Chile, Portugal, França, Espanha, Panamá e até nos Estados Unidos”, explica Hoffmann. Nos EUA, a PagBrasil firmou recentemente parceria com a Verifone, a maior adquirente americana, que processa cerca de US$ 8 trilhões por ano. A estratégia visa atender os mais de 2 milhões de turistas brasileiros esperados em solo norte-americano este ano.

Pix multimoeda: outra alternativa

O Pix também está sendo usado por meio de contas multimoeda. Nessas plataformas digitais, o usuário faz um Pix para a própria conta, que converte o valor em moedas estrangeiras como dólar ou euro. Depois, é possível usar cartões virtuais de débito diretamente do celular.

A jornalista Verônica Soares, por exemplo, utilizou esse modelo durante as férias em Paris. “Antes eu precisava comprar euro em casa de câmbio. Agora faço um Pix do meu banco para um aplicativo e o valor é convertido instantaneamente para a moeda local. É muito mais prático”, afirma.

Popularidade no Brasil e expansão internacional

Atualmente, cerca de 75% da população brasileira utiliza o Pix, o que representa mais de 160 milhões de pessoas. O sistema já responde por quase metade de todas as transações de pagamento no país, superando cartões de crédito e débito.

Com essa popularidade, a demanda por soluções que permitam o uso do Pix no exterior só cresce. “O sistema é imbatível em versatilidade. Ele funciona por QR Code, aproximação, permite pagamentos automáticos e, em breve, terá parcelamento garantido como os cartões de crédito”, observa Hoffmann.

Desafios regulatórios

Banco Central afirma que ainda não há previsão de um “Pix internacional”, que dependeria de acordos complexos entre diferentes países. Mas a instituição estuda integrar a rede ao sistema Nexus, plataforma global desenvolvida pelo Banco de Compensações Internacionais para facilitar transferências internacionais.

Enquanto isso, o uso via fintechs segue em expansão, apesar de desafios. O presidente dos EUA, Donald Trump, abriu recentemente uma investigação contra o Brasil por supostas práticas desleais no comércio internacional, citando o Pix. Hoffmann, no entanto, acredita que a tecnologia não será barrada. “O Pix gera entrada de recursos nos EUA por meio do turismo. Seria contraditório criar obstáculos”, afirma.

Um sistema que veio para ficar

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Em locais como Punta del Este, no Uruguai, Buenos Aires, no Paraguai, e até em lojas e restaurantes da Flórida e Nova York, a aceitação do Pix já é realidade. “É impossível parar algo tão funcional e seguro. O Pix se tornou o sistema de pagamento mais completo do mundo”, conclui Hoffmann. Com informações da Agência Brasil.

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