PGR denuncia casal que arrecadou R$ 1 milhão para acampamento golpista

PGR denuncia casal que arrecadou R$ 1 milhão para acampamento golpista
Área em frente ao Quartel-General do Exército, em Brasília, que abrigou o acampamento golpista desmontado após os atos de 8 de janeiro de 2023/Marcello Casal JrAgência Brasil
Publicado em 12/08/2025 às 7:00

Da redação de LexLegal

A Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou denúncia ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra Rubem Abdalla Barroso Junior e Eloisa da Costa Leite, acusados de arrecadar recursos para manter o acampamento golpista instalado em frente ao Quartel-General do Exército (QGEx), em Brasília, no final de 2022. O caso foi distribuído ao ministro Alexandre de Moraes, relator dos processos relacionados aos atos antidemocráticos.

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Na manifestação enviada no mês passado, a PGR aponta que o casal cometeu os crimes de associação criminosa e incitação das Forças Armadas contra os poderes constitucionais, tipificados no Código Penal e na Lei de Segurança Nacional (substituída em parte pela Lei 14.197/2021, que trata de crimes contra o Estado Democrático de Direito).

Segundo as investigações conduzidas pela Polícia Federal, os denunciados montaram uma tenda de alimentação no acampamento e solicitavam doações em dinheiro via Pix para custear refeições servidas aos participantes — incluindo arroz, feijão, carne, salada e suco. O objetivo, de acordo com a acusação, seria sustentar a presença contínua dos manifestantes e reforçar a logística do movimento que pedia a intervenção militar.

As apurações apontam que Eloisa da Costa teria movimentado cerca de R$ 1 milhão em transações suspeitas. Parte desses valores, segundo a PGR, foi destinada diretamente a ações voltadas à manutenção do acampamento e ao estímulo de atos considerados antidemocráticos.

“A dinâmica do casal consistia na arrecadação de recursos, por meio de chave Pix vinculada à conta bancária de Eloisa da Costa Leite, para posterior repasse dos valores a Rubem Abdalla Barroso Junior. Parte da quantia angariada foi destinada para incitar a prática de atos antidemocráticos mediante o fornecimento de alimentos aos frequentadores do QGEx”, descreve a denúncia.

A acusação ressalta que a manutenção do acampamento — desmobilizado pela Polícia Militar e Força Nacional após os ataques de 8 de janeiro de 2023 — tinha como finalidade pressionar as Forças Armadas a agir contra o resultado das eleições presidenciais, o que configura, segundo o Ministério Público, atentado contra o Estado Democrático de Direito.

O processo aguarda decisão do ministro Alexandre de Moraes sobre o recebimento da denúncia, o que definirá se o casal passará à condição de réu. Até o momento, Rubem Abdalla e Eloisa da Costa não constituíram advogado para apresentar defesa no STF.

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O caso integra o conjunto de investigações sobre a rede de apoio financeiro e logístico aos atos que culminaram nos ataques às sedes dos Três Poderes. Além de responsabilizar líderes e participantes diretos, a PGR busca mapear quem forneceu recursos para a manutenção das estruturas e atividades de mobilização.

SÃO PAULO WEATHER