PF prende diretor da Agência Nacional de Mineração e ex-diretor da própria PF em esquema de R$ 1,5 bilhão

PF prende diretor da Agência Nacional de Mineração e ex-diretor da própria PF em esquema de R$ 1,5 bilhão
A Polícia Federal aponta que a rede de monitoramento monitorava passos de investigadores, magistrados e concorrentes do mercado financeiro/Agência Brasil
Publicado em 17/09/2025 às 16:30

Da redação de LexLegal

Polícia Federal (PF) prendeu, preventivamente, nesta quarta-feira (17), o diretor da Agência Nacional de Mineração (ANM), Caio Mário Trivellato Seabra Filho, e o ex-diretor da própria PF e atual diretor de Administração e Finanças do Serviço Geológico do Brasil (SGB), Rodrigo de Melo Teixeira. As detenções ocorreram no âmbito da Operação Rejeito, deflagrada em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU), para apurar supostas fraudes em autorizações de exploração de minério de ferro em Minas Gerais.

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Além das prisões, foram cumpridos 79 mandados de busca e apreensão. A Justiça Federal determinou ainda o afastamento cautelar de servidores e dirigentes públicos envolvidos. Segundo a PF, o grupo investigado teria fraudado licenças ambientais e autorizações de mineração em áreas próximas a unidades de preservação, o que resultou em graves riscos ambientais e sociais.

Como funcionava o esquema

De acordo com a investigação, os articuladores corrompiam servidores públicos em órgãos estaduais e federais de fiscalização para obter autorizações irregulares. O objetivo era viabilizar a exploração de minério de ferro em áreas proibidas, inclusive locais tombados.

“A organização criminosa teria atuado para neutralizar a ação do Estado, dificultando as investigações e monitorando autoridades. Além disso, utilizou diversos artifícios para lavar o dinheiro obtido com as práticas ilícitas”, informou a PF em nota.

Os investigadores estimam que o grupo movimentou ao menos R$ 1,5 bilhão com as operações ilegais — valor que foi bloqueado pela Justiça Federal de Minas Gerais.

Perfis dos presos

Trivellato é advogado especialista em Direito Ambiental e ocupava cargos de liderança na ANM desde 2020. Em 2023, assumiu interinamente a diretoria e, no fim do mesmo ano, passou a integrar a diretoria colegiada.

Já Rodrigo Teixeira ingressou na PF em 1999, chegando a comandar a Superintendência em Minas Gerais em 2018. Ele também foi secretário adjunto de Segurança em Minas e em Belo Horizonte, além de ter presidido a Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam). Em 2024, assumiu a Diretoria de Administração e Finanças do SGB.

Reações oficiais

Em nota, a ANM disse não ter recebido comunicação formal sobre as medidas, mas ressaltou que mantém o compromisso de colaborar com as autoridades: “Até o momento, não houve comunicação oficial à agência sobre eventuais medidas envolvendo servidores ou dirigentes”, afirmou o órgão.

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SGB também se manifestou, destacando que não comenta processos em andamento, mas reafirmou compromisso com a legalidade e a transparência. “Reiteramos nosso compromisso com a ética, a legalidade e a transparência, e permanecemos à disposição para colaborar com as autoridades competentes”, declarou a instituição.

Outros 20 investigados foram alvos de mandados de prisão preventiva, mas seus nomes ainda não foram divulgados.

SÃO PAULO WEATHER