PF mobiliza 1,2 mil agentes e define plano de segurança para COP30 em Belém

Da redação de LexLegal
A Polícia Federal (PF) definiu o plano de segurança para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que será realizada entre 10 e 21 de novembro de 2025, em Belém (PA). As ações começaram em 1º de outubro e têm como meta garantir a segurança de um número recorde de delegações internacionais, além de assegurar o livre exercício da manifestação durante o evento.
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Esta será a primeira COP sediada na Amazônia brasileira, o que exige um esquema de segurança sem precedentes. O planejamento da PF foi estruturado em três eixos principais de atuação: diplomacia e delegações internacionais, logística reforçada e liberdade de manifestação.
Diplomacia e recorde de delegações
A conferência deverá reunir chefes de Estado, diplomatas, cientistas e representantes da sociedade civil de quase 200 países, transformando Belém em um dos centros políticos mais movimentados do planeta durante o evento.
A PF avalia que a diversidade de interesses geopolíticos e a complexidade das negociações climáticas exigem um modelo de segurança adaptado, capaz de proteger autoridades e representantes com visões antagônicas sobre a transição energética e as metas de descarbonização.
O efetivo será composto por 1,2 mil servidores, entre policiais federais e técnicos administrativos, com reforço em inteligência, escolta, contrainteligência e monitoramento de ameaças internacionais.
Logística e infraestrutura reforçadas
A estrutura de segurança inclui operações permanentes nos portos e aeroportos, especialmente no Porto de Outeiro, que receberá navios de cruzeiro com delegações estrangeiras, e na Base Aérea de Belém, principal ponto de chegada de autoridades internacionais.
Também estão previstas ações conjuntas com a Receita Federal, a Polícia Rodoviária Federal e a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para controlar o fluxo de passageiros, cargas e bagagens diplomáticas.
O plano de segurança contempla ainda operações de prevenção a crimes cibernéticos e ameaças terroristas, varreduras e contramedidas anti-bombas, além do uso de tecnologia de reconhecimento facial e monitoramento aéreo com drones e helicópteros.
Segundo nota da PF, “as medidas visam garantir uma conferência segura, transparente e democrática, reforçando o compromisso do Brasil com a proteção ambiental e os direitos civis”.
Liberdade de manifestação e segurança social
A COP30 deverá atrair milhares de manifestantes, lideranças indígenas, ativistas ambientais e movimentos sociais, que tradicionalmente utilizam o evento como espaço de reivindicação e debate público.
A PF informou que o plano busca conciliar segurança e liberdade de expressão, garantindo a “convivência harmônica entre os diferentes segmentos sociais” e evitando que manifestações interfiram no funcionamento regular da cidade.
“A PF destaca que o Brasil se consolida como o principal palco dos últimos cinco anos para a livre manifestação de povos originários”, afirmou a corporação em nota.
A corporação ressaltou que o evento brasileiro sucede conferências realizadas em países com restrições às liberdades civis, como Azerbaijão (COP29, 2024) e Emirados Árabes Unidos (COP28, 2023), o que reforça o caráter plural e democrático da edição em Belém.
Aldeia COP: protagonismo indígena
Paralelamente ao evento principal, o governo brasileiro montou a “Aldeia COP”, um espaço dedicado aos povos indígenas do Brasil e do mundo, com área total de 72,6 mil m², sendo 14,9 mil m² de área construída, dentro da Universidade Federal do Pará (UFPA).
O local funcionará como acampamento e centro de atividades culturais, políticas e espirituais, com capacidade para abrigar até 3 mil indígenas durante o evento. A estrutura é coordenada pelo Ministério dos Povos Indígenas, em parceria com a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) e a Federação dos Povos Indígenas do Pará (Fepipa).
A Aldeia COP simboliza a integração entre saberes tradicionais e políticas climáticas globais, destacando o papel das comunidades originárias na proteção das florestas e no combate ao aquecimento global.
Além dos desafios logísticos e de segurança, a COP30 representará um teste de governança ambiental e diplomáticapara o Brasil, que busca afirmar-se como líder global da agenda climática e da transição verde.
A presença de um número recorde de delegações e a diversidade de temas — de financiamento climático à preservação da Amazônia — exigirão uma coordenação institucional sem precedentes entre ministérios, forças de segurança e órgãos internacionais.
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Belém também passará por uma ampla reestruturação urbana e ambiental, com investimentos em infraestrutura, saneamento e mobilidade sustentável, que deverão deixar um legado permanente para a região amazônica.