PF mira núcleo paralelo do caso Master dentro da própria corporação e prende pai de Vorcaro

Da Redação de LexLegal
O empresário Henrique Moura Vorcaro, pai do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi preso pela Polícia Federal na manhã desta quinta-feira durante a 6ª fase da Operação Compliance Zero. A investigação apura a atuação de uma suposta organização criminosa envolvida em intimidação, obtenção ilegal de informações sigilosas, invasões de sistemas e lavagem de dinheiro.
A operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. Ao todo, agentes federais cumpriram sete mandados de prisão preventiva e 17 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Também houve ordens de bloqueio de bens e afastamento de cargos públicos.
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PF aponta rede de policiais e vazamento de dados
Segundo a decisão do STF, a investigação identificou um grupo chamado “A Turma”, formado por policiais federais da ativa, aposentados e outros operadores que teriam atuado em favor dos interesses ligados a Daniel Vorcaro e ao Banco Master. A suspeita é que integrantes acessavam ilegalmente sistemas internos da PF para obter informações sigilosas e intimidar alvos da organização.
De acordo com os investigadores, Henrique Vorcaro seria responsável por solicitar serviços ao grupo e coordenar pagamentos. A decisão afirma que o empresário atuava diretamente no financiamento da estrutura clandestina investigada.
Entre os investigados estão a delegada Valéria Vieira Pereira da Silva, o policial federal da ativa Anderson Wander da Silva Lima e os policiais aposentados Sebastião Monteiro Júnior e Francisco José Pereira da Silva. Segundo a PF, parte deles teria realizado consultas indevidas em sistemas internos da corporação para beneficiar integrantes do grupo.
Grupo é suspeito de intimidação e espionagem
A Polícia Federal afirma que a organização atuava em duas frentes. Uma delas, chamada “A Turma”, seria voltada à obtenção de informações sigilosas, coerção e ameaças. Já um segundo núcleo, chamado “Os Meninos”, teria perfil tecnológico e atuaria em invasões cibernéticas, derrubada de perfis e monitoramento ilegal de pessoas investigadas ou consideradas adversárias do grupo.
Segundo a decisão judicial, o núcleo tecnológico era coordenado por Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido pelo apelido de “Sicário”. A PF afirma que a estrutura teria sido usada para atender interesses do núcleo central da organização investigada.
A investigação também aponta que policiais federais foram acionados para descobrir detalhes de inquéritos em andamento envolvendo Henrique Vorcaro. Em um dos trechos citados pela PF, integrantes do grupo trocam mensagens sobre a necessidade de acessar informações reservadas ligadas a uma intimação recebida pelo empresário.
Decisão aponta repasses mensais de R$ 400 mil
Outra decisão relacionada à operação afirma que Henrique Vorcaro continuou financiando o grupo investigado mesmo após o avanço das primeiras fases da Compliance Zero. Segundo a PF, mensagens extraídas do celular de Marilson Roseno da Silva mostram cobranças por pagamentos mensais e pedidos de continuidade dos repasses.
De acordo com os investigadores, Henrique teria prometido enviar R$ 400 mil para manutenção da estrutura. A PF suspeita que o dinheiro fosse usado para financiar ações de monitoramento, vazamento de dados e obtenção de informações sigilosas.
“Em mensagem de 06/01/2026, MARILSON deseja-lhe feliz ano novo e, no mesmo contexto, pede para que HENRIQUE não o deixe “à deriva”, afirmando estar “segurando uma manada de búfalo” e necessitar do pagamento ajustado. HENRIQUE responde que receberia recursos na quinta ou na sexta-feira e que, assim que isso ocorresse, “imediatamente” enviaria “400”, ao que MARILSON contrapõe que o ideal seria o envio de “800k””, descreve a decisão da investigação.
Banco Master está no centro das investigações
A Operação Compliance Zero investiga suspeitas de fraudes financeiras ligadas ao Banco Master e operadores associados à instituição. Daniel Vorcaro está preso desde março e é apontado pela PF como um dos principais articuladores do esquema investigado.
A operação já cumpriu dezenas de mandados de busca em diferentes estados e resultou no bloqueio de até R$ 27,7 bilhões em bens e ativos financeiros de investigados. Nas fases anteriores, também foram presos o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e o advogado Daniel Monteiro, apontado como operador jurídico-financeiro do esquema.
A quinta fase da operação atingiu o senador Ciro Nogueira, ex-ministro da Casa Civil do governo Bolsonaro, que passou a ser investigado no caso. As investigações incluem suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e violação de sigilo funcional.
Defesa fala em falta de esclarecimentos prévios
A defesa de Henrique Vorcaro afirmou que a prisão foi determinada sem que os esclarecimentos da defesa fossem solicitados previamente pelos investigadores.
“Constata-se que decisão se baseia em fatos cuja comprovação da respectiva licitude e o lastro de racionalidade econômica ainda não estão no processo. E não estão porque não foram solicitados à defesa e nem a ele. O ideal seria ouvir as explicações antes de medida tão grave e desnecessária. Cuidaremos imediatamente de demonstrar a estamos a dizer ainda hoje”, informou a defesa de Henrique Vorcaro.
Investigação avança sobre estrutura paralela
A nova fase da Compliance Zero amplia o foco da investigação para além das fraudes financeiras. Agora, a PF tenta demonstrar que existia uma estrutura paralela de inteligência clandestina usada para acessar informações reservadas, pressionar pessoas ligadas aos inquéritos e proteger integrantes do grupo investigado.
Especialistas ouvidos ao longo das investigações apontam que o uso indevido de sistemas internos por agentes públicos pode configurar crimes de violação de sigilo funcional, corrupção e organização criminosa. Caso as suspeitas sejam confirmadas, o caso pode atingir servidores públicos, operadores financeiros e integrantes do mercado ligados ao esquema investigado.
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A prisão de Henrique Vorcaro ocorre um dia após a divulgação de mensagens e áudios envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro sobre o financiamento de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. As revelações aumentaram a pressão política e ampliaram a repercussão nacional das investigações relacionadas ao Banco Master.