PF investiga rota do metanol usado em bebidas que causam intoxicação no país

PF investiga rota do metanol usado em bebidas que causam intoxicação no país
© UFPR/Divulgação
Publicado em 08/10/2025 às 8:50

Da redação de LexLegal

Polícia Federal investiga se o metanol apreendido e abandonado por criminosos após operações contra a infiltração do crime organizado no setor de combustíveis tem sido reaproveitado ilegalmente na adulteração de bebidas alcoólicas. A informação foi confirmada pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, durante entrevista à imprensa.

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“Muitos caminhões e muitos tanques de metanol foram abandonados depois desta operação. E esta é uma hipótese que está sendo estudada, trilhada e acalentada pela Polícia Federal”, afirmou o ministro.

A investigação busca determinar a origem exata do metanol, se derivado de combustíveis fósseis ou de produtos agrícolas usados na indústria química. Segundo Lewandowski, essa distinção é fundamental para definir as frentes de repressão e os alvos das operações.

“Se esta é a origem do metanol que está adulterando as bebidas, a atuação repressiva será numa direção. Se esse metanol tiver origem a partir de produtos agrícolas, a repressão terá outros alvos”, acrescentou.

Crime organizado e falsificação de bebidas

O ministro não descartou a possibilidade de envolvimento de organizações criminosas nas recentes ocorrências de intoxicação por metanol em várias regiões do país. Os casos têm aumentado principalmente no estado de São Paulo, onde também se concentram as apreensões e as denúncias de bebidas falsificadas.

Na semana passada, o governador Tarcísio de Freitas havia negado qualquer relação direta entre o crime organizadoe as contaminações por metanol, mas a nova linha de apuração da PF reacende a discussão.

O metanol é um álcool altamente tóxico, utilizado na indústria automotiva e química, mas proibido para consumo humano. Sua ingestão, mesmo em pequenas doses, pode causar cegueira, falência múltipla de órgãos e morte.

A Polícia Federal tem monitorado redes de falsificação que atuam na compra e revenda de bebidas adulteradas, muitas vezes produzidas em laboratórios clandestinos ou armazéns improvisados. O uso indevido do metanol — por ser mais barato que o etanol — aumenta significativamente o lucro dos falsificadores, à custa de graves riscos à saúde pública.

Controle de insumos e comércio digital

Ricardo Lewandowski afirmou também que o governo federal pretende endurecer a fiscalização de sites e plataformas online que comercializam materiais usados na falsificação de bebidas, como rótulos, garrafas, tampas e lacres.

A ação será coordenada entre a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e a Receita Federal. O objetivo é identificar e coibir o comércio ilegal desses insumos, frequentemente vendidos como produtos genéricos ou “decorativos”.

Criação de comitê de enfrentamento

Durante o anúncio, Lewandowski comunicou a criação de um comitê de enfrentamento à adulteração de bebidas com metanol, em parceria com representantes da sociedade civil e do setor de bebidas. O grupo atuará de forma informal e colaborativa, servindo como espaço para troca de informações, planejamento de ações conjuntas e divulgação de medidas de proteção.

“O comitê terá a função de planejar tanto ações repressivas, contra aqueles que atuaram na adulteração das bebidas, quanto protetivas para o setor de bebidas”, explicou o ministro.

A iniciativa busca fortalecer o diálogo entre o poder público e as empresas, garantindo respostas rápidas a episódios de contaminação e estimulando a adoção de boas práticas de rastreabilidade, rotulagem e controle de qualidade.

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Nos últimos meses, o Ministério da Justiça e a Polícia Federal intensificaram operações de campo e de inteligência contra a falsificação e o contrabando de bebidas alcoólicas, principalmente em São Paulo, Minas Gerais e Paraná, estados que concentram a maior parte dos registros de intoxicação.


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