PF investiga invasão após falso alerta da Defesa Civil atingir 30 milhões em 8 estados

PF investiga invasão após falso alerta da Defesa Civil atingir 30 milhões em 8 estados
Mensagens falsas enviadas por sistema da Defesa Civil chegaram a celulares em pelo menos oito unidades da federação; governo suspeita de ataque hacker/Print Marcelo Brandão
Publicado em 20/06/2026 às 16:47

Da Redação de LexLegal

A Polícia Federal abriu uma investigação preliminar para apurar a invasão do sistema Defesa Civil Alerta, responsável pelo envio de notificações de emergência à população. A apuração começou após milhões de brasileiros receberem mensagens falsas durante a madrugada deste sábado (20).

Segundo o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, a plataforma foi alvo de uma invasão que permitiu o disparo de dez alertas indevidos para celulares em diferentes regiões do país. O sistema foi retirado do ar ainda durante a madrugada para evitar novos envios.

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As mensagens foram classificadas como “Alerta Extremo”, categoria utilizada em situações de risco elevado à população. Os textos continham palavras como “misantropia” e até referências a “invasão alienígena”, o que rapidamente levantou suspeitas sobre a autenticidade dos avisos.

O secretário nacional de Proteção e Defesa Civil, Wolnei Wolff, afirmou que “tudo indica” se tratar de um ataque hacker, Wolnei Wolff, secretário nacional de Proteção e Defesa Civil.

De acordo com o secretário, foram nove mensagens enviadas por meio da tecnologia Cell Broadcast e uma pelo sistema SMS. O governo ainda não sabe exatamente quantos aparelhos receberam as notificações, mas admite que o alcance foi de milhões de celulares.

O Cell Broadcast é uma tecnologia que permite o envio simultâneo de alertas para todos os aparelhos conectados às antenas de uma determinada região. O sistema dispensa internet, aplicativos ou cadastro prévio dos usuários e passou a ser utilizado nacionalmente para avisos de desastres e eventos climáticos extremos.

A Polícia Federal trabalha para identificar como ocorreu a invasão e se a ação foi realizada por uma única pessoa ou por um grupo organizado. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) também acompanha a apuração.

Em nota, a Anatel informou que, ao que se sabe até o momento, “os alertas em questão não passaram pelos canais oficiais da plataforma técnica do sistema, operada pela ABR Telecom (Associação Brasileira de Recursos em Telecomunicações)”.

A suspeita inicial é de que os invasores tenham conseguido acesso à plataforma utilizada pela própria Defesa Civil para emissão dos alertas. O governo informou que o sistema só voltará a funcionar após a troca das credenciais de acesso e a adoção de novas medidas de segurança.

Os disparos ocorreram entre 23h41 de sexta-feira (19) e 1h23 de sábado (20). Registros preliminares apontam que moradores de Belo Horizonte, Brasília, Campo Grande, Curitiba, Rio Branco, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo receberam as mensagens. Também houve relatos em municípios do interior de São Paulo, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul.

Somadas, as localidades atingidas reúnem cerca de 30 milhões de habitantes.

O Ministério da Integração informou ainda que já desenvolve uma nova plataforma para o envio de alertas de emergência, considerada mais segura. O projeto, porém, ainda não tem previsão oficial para entrar em operação.

Especialistas avaliam que o episódio expõe os desafios de segurança digital enfrentados por sistemas públicos cada vez mais conectados. Além do impacto causado pela falsa comunicação, o caso acende preocupação sobre a confiabilidade de ferramentas utilizadas para avisar a população em situações reais de emergência.

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Entre os crimes que podem ser investigados estão invasão de dispositivo informático, interrupção de serviços de utilidade pública, atentado contra serviço essencial e falsidade ideológica. As penas, somadas, podem chegar a vários anos de prisão, dependendo da conclusão das investigações.

SÃO PAULO WEATHER