PF diz que não conseguiu ver vídeos de operação que terminou com 122 mortos no RJ e aciona STF

PF diz que não conseguiu ver vídeos de operação que terminou com 122 mortos no RJ e aciona STF
Arquivos de câmeras corporais foram enviados por nuvem sem opção de download/Eusébio Gomes/TV Brasil
Publicado em 25/02/2026 às 8:30

Da redação de LexLegal

A Polícia Federal comunicou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a impossibilidade de periciar os vídeos da Operação Contenção. A ação policial, realizada em outubro de 2025 contra o Comando Vermelho, terminou com 122 mortos e denúncias de execuções sumárias.

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A Polícia Civil do Rio de Janeiro disponibilizou 945 arquivos apenas para visualização em nuvem, bloqueando a extração dos dados. O diretor-geral substituto da PF, William Marcel Murad, afirmou ao tribunal que a falta do download inviabilizou a análise técnica e pediu o envio do material em mídia física.

As imagens são cruciais para a ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas, que impõe limites à letalidade policial. O STF exige o uso de câmeras e a preservação das cenas de crime, mas a corporação fluminense alegou que falhas técnicas impediram o uso do equipamento por mais da metade dos agentes.

Investigações paralelas já resultaram na denúncia de seis policiais por crimes como roubo, invasão de domicílio e peculato durante a operação. Imagens analisadas pelo Ministério Público mostraram agentes tentando obstruir propositalmente as lentes das câmeras e revirando casas de moradores sem autorização.

A Defensoria Pública também aguarda registros das necropsias para verificar sinais de execução nos corpos abandonados no Complexo da Penha. Até o momento, a Polícia Civil não informou quando entregará os arquivos originais para que a perícia federal possa avançar.

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O descumprimento das ordens do STF reforça a crise de transparência na segurança pública do Rio de Janeiro. A resistência em fornecer dados brutos para perícia externa pode comprometer a validade jurídica das investigações sobre o que é considerada uma das operações mais letais da história do estado.

SÃO PAULO WEATHER