PF apreende mala de dinheiro que foi jogada pela janela durante operação contra a Rioprevidência

PF apreende mala de dinheiro que foi jogada pela janela durante operação contra a Rioprevidência
Investigação mira R$ 970 milhões do Rioprevidência no Master /Polícia Federal/ Divulgação
Publicado em 11/02/2026 às 12:35

Da redação de LexLegal

Uma mala com dinheiro em espécie foi lançada pela janela de um apartamento em Balneário Camboriú, no litoral norte de Santa Catarina, durante operação da Polícia Federal na manhã desta quarta-feira (11). A cena ocorreu no cumprimento de mandados da terceira fase da Operação Barco de Papel, que apura suspeitas de crimes financeiros envolvendo recursos do Rioprevidência.

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Os agentes cumpriram dois mandados de busca e apreensão, um em Balneário Camboriú e outro em Itapema. A ordem judicial partiu da 6ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro. Segundo a PF, a nova etapa foi motivada por “indícios de obstrução de investigações e de ocultação de provas”.

Ao entrarem no imóvel em Balneário Camboriú, os policiais foram surpreendidos quando um dos ocupantes arremessou pela janela uma mala com dinheiro vivo. O montante foi recolhido. Também foram apreendidos dois veículos de luxo e dois telefones celulares.

Os carros foram encaminhados à delegacia da PF em Itajaí. Um dos celulares pertence à pessoa que estava no apartamento no momento da diligência. O material será analisado no inquérito.

O objetivo é recuperar bens e valores que teriam sido retirados de um endereço no Rio de Janeiro durante a primeira fase da investigação, realizada em 23 de janeiro. Na ocasião, foram feitas buscas em endereços ligados ao então presidente do Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, e aos ex-diretores Eucherio Lerner Rodrigues e Pedro Pinheiro Guerra Leal.

A Operação Barco de Papel investiga supostas irregularidades na aplicação de recursos do fundo de previdência dos servidores do Estado do Rio de Janeiro em letras financeiras emitidas pelo Banco Master. Entre novembro de 2023 e julho de 2024, segundo a PF, o Rioprevidência investiu cerca de R$ 970 milhões na instituição.

O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em 18 de novembro do ano passado, sob a justificativa de grave crise de liquidez e violações às normas do sistema financeiro. Relatórios do BC e investigações da PF apontam que a instituição teria desviado aproximadamente R$ 11,5 bilhões.

A PF apura crimes contra o sistema financeiro nacional, gestão fraudulenta, desvio de recursos, indução de repartição pública a erro, fraude à fiscalização, associação criminosa e corrupção passiva. O foco é verificar se as aplicações foram feitas de forma incompatível com a finalidade previdenciária do fundo.

O Rioprevidência é responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões de servidores estaduais. O fundo nega irregularidades nas operações. De acordo com informações já divulgadas, os papéis adquiridos teriam vencimento previsto para 2033 e 2034. Há negociações para substituição dos títulos por precatórios federais.

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No início de fevereiro, Deivis Marcon Antunes foi preso na segunda fase da operação. Ele havia deixado o cargo em 23 de janeiro, após a deflagração da primeira etapa da investigação. No dia da nova fase, foi informado que o ex-presidente havia passado um período fora do país e foi detido em Itatiaia, no sul do Estado do Rio de Janeiro, após desembarcar em Guarulhos.

A terceira fase amplia o cerco sobre possíveis tentativas de ocultação de patrimônio e destruição de provas. O caso envolve recursos públicos bilionários e deve seguir no centro das investigações federais nas próximas semanas.

SÃO PAULO WEATHER