Petróleo dispara com ataques no Oriente Médio e tensão sobre oferta

Da redação de LexLegal
Os novos ataques de Israel e do Irã contra instalações de gás e petróleo no Oriente Médio jogaram mais pressão sobre o mercado global de energia nesta quinta-feira (19). O barril do Brent, referência internacional, chegou a bater US$ 119,13 ao longo do dia e depois recuou, fechando em US$ 108,65.
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A trégua parcial no preço veio depois de o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, dizer à Fox Business que Washington pode aliviar sanções sobre cerca de 140 milhões de barris de petróleo iraniano que hoje estão retidos em navios. A sinalização foi lida pelo mercado como tentativa de colocar mais oferta em circulação e frear a disparada do barril.
O salto do Brent foi alimentado pela escalada militar dos últimos dias. Israel atingiu o campo de gás South Pars, no lado iraniano da maior reserva de gás do mundo, compartilhada com o Catar. Em resposta, o Irã atacou Ras Laffan, no Catar, considerado o maior complexo de gás natural liquefeito do planeta. O choque entre os dois lados tirou o conflito do campo diplomático e levou a guerra direto para o coração da infraestrutura energética da região.
A crise ganhou peso extra porque parte decisiva do petróleo e do gás da região depende do Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de um quinto do consumo global de petróleo. Desde o fim de fevereiro, o risco sobre essa passagem virou um dos principais motores da alta dos combustíveis e da tensão nos mercados.
O pano de fundo é a guerra iniciada em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel bombardearam alvos em Teerã e mataram o líder supremo Ali Khamenei, segundo a Reuters. Dias depois, Mojtaba Khamenei foi elevado ao posto de novo líder supremo, sob forte influência da Guarda Revolucionária.
Desde então, o conflito deixou de girar só em torno do programa nuclear iraniano e passou a atingir ativos que mexem diretamente com a economia mundial. O resultado foi imediato: mais volatilidade no petróleo, disparada no gás natural e temor de nova rodada de inflação importada em vários países.
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A nova escalada também mostra que a crise entrou em outro patamar. Quando refinarias, campos de gás e rotas marítimas passam a ser alvo, o impacto deixa de ser regional e vira problema de oferta global. Foi esse risco que levou o mercado a empurrar o Brent para perto de US$ 120 e obrigou Washington a colocar sobre a mesa a hipótese de liberar petróleo iraniano encalhado no mar.