Petrobras vê dívida convergir para US$ 65 bi e descarta dividendos extras

Da redação de LexLegal
A Petrobras estimou que conseguirá cumprir a meta de reduzir sua dívida bruta para US$ 65 bilhões a partir de 2026, mesmo em um cenário de preços mais baixos do petróleo Brent. A afirmação foi feita pelo diretor Financeiro, Fernando Melgarejo, ao comentar as projeções incluídas no Plano de Negócios 2026–2030, que prevê investimentos totais de US$ 109 bilhões nos próximos anos.
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Melgarejo afirmou que a companhia deve encerrar 2025 com dívida de aproximadamente US$ 70 bilhões e iniciar a trajetória de queda no ano seguinte. Ele explicou que, com o Brent projetado a cerca de US$ 63, será possível reduzir parte do endividamento em 2026. Caso o preço fique entre US$ 59 e US$ 60 por barril, a tendência é de estabilidade: “a gente vai ter uma dívida líquida neutra, ou seja, ela não vai crescer”.
O executivo reforçou que a gestão atual trabalha com metas de eficiência e cortes de custos para garantir a convergência da dívida aos US$ 67 bilhões em 2025 e US$ 65 bilhões em 2026, patamar que deve ser mantido ao longo do plano plurianual. As metas financeiras estão entre os principais parâmetros analisados por investidores diante das incertezas do mercado global de petróleo.
Em relação aos dividendos extraordinários, Melgarejo foi direto ao descartar novas distribuições fora da política regular. Para que esse tipo de pagamento ocorra, a empresa precisa ter fluxo de caixa operacional robusto e dívida estabilizada. Segundo ele, “muito provavelmente não deverá haver dividendos extraordinários nos próximos períodos”.
O Plano de Negócios 2026–2030 prevê US$ 91 bilhões em projetos já considerados maduros e em implantação, e outros US$ 18 bilhões para iniciativas em avaliação — etapa em que a companhia verifica, trimestre a trimestre, viabilidade financeira, flexibilidade de execução e alinhamento às prioridades estratégicas.
No campo operacional, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, apresentou as projeções de produção para os próximos anos. A companhia espera atingir, no quinquênio 2026–2030, a marca de 2,7 milhões de barris de petróleo por dia (bpd) em 2028 e 3,4 milhões de barris equivalentes de petróleo e gás natural por dia (boed) entre 2028 e 2029. Segundo ela, a estratégia passa por otimização de plataformas existentes. “Isso significa novos poços pendurados nas mesmas plataformas, substituindo poços que perderam sua produtividade. Isso significa trocar poços menos produtivos por mais produtivos”.
O salto na produção virá da entrada de oito novos sistemas de produção até 2030, dos quais sete já estão contratados. O pré-sal da Bacia de Santos segue como o principal motor da expansão, descrito pela presidente como “um ativo preciosíssimo” pela combinação de baixo custo, alto volume e maior previsibilidade operacional.
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O redesenho financeiro, as metas de produção e o ritmo dos investimentos devem orientar a percepção do mercado sobre a capacidade da Petrobras de equilibrar expansão, segurança jurídica e disciplina de capital, especialmente num momento de maior volatilidade internacional.