Petrobras tenta segurar alta dos combustíveis após guerra no Irã

Da redação de LexLegal
A Petrobras afirmou que pode amortecer parte do impacto da disparada do petróleo no mercado internacional sem comprometer a rentabilidade da companhia. A declaração ocorre em meio à escalada da crise no Oriente Médio, que elevou o preço do barril e reacendeu o debate sobre combustíveis no Brasil.
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Segundo a estatal, a estratégia comercial adotada pela empresa permite reduzir o repasse imediato das oscilações externas para o consumidor brasileiro. A companhia sustenta que a política atual considera fatores como capacidade de refino e logística, o que amplia a margem de atuação na definição de preços.
“Em um cenário em que guerras e tensões geopolíticas ampliam a volatilidade do mercado internacional de energia, a Petrobras reafirma seu compromisso com a mitigação desses efeitos sobre o Brasil”, diz a estatal, em nota.
De acordo com a empresa, a estrutura operacional e as condições de produção internas permitem administrar melhor os impactos da inflação global provocada pela alta do petróleo. A estratégia inclui o uso de refinarias nacionais e ajustes logísticos para reduzir oscilações abruptas.
“O que nos permite promover períodos de estabilidade nos preços ao mesmo tempo que resguarda a nossa rentabilidade de maneira sustentável. Essa abordagem reduz a transmissão imediata das variações internacionais para o mercado brasileiro”, afirma o comunicado.
A companhia também afirmou que não antecipa decisões comerciais. Segundo a Petrobras, a atuação no mercado segue baseada em critérios concorrenciais e na busca por equilíbrio entre preços, rentabilidade e interesse público.
A estatal declarou que permanece comprometida com uma atuação “responsável, equilibrada e transparente para a sociedade brasileira”.
A tensão internacional é um dos principais fatores por trás da volatilidade recente do petróleo. A guerra envolvendo o Irã e o bloqueio do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes do planeta, pressionaram fortemente os preços do barril.
Cerca de um quarto do petróleo transportado globalmente passa por esse estreito no Oriente Médio. Quando a circulação de navios é interrompida, o impacto tende a se espalhar rapidamente pelos mercados de energia.
Com o agravamento do conflito, o barril chegou a atingir cerca de US$ 120 na segunda-feira (9). O movimento reflete o temor de interrupção no fornecimento global de petróleo. Nos dias seguintes, os preços recuaram parcialmente após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicando que o conflito poderia se aproximar do fim.
Mesmo com a queda, o petróleo segue acima dos níveis registrados antes da crise. O barril do tipo Brent permanece abaixo de US$ 100, mas ainda distante da média próxima de US$ 70 observada antes do início das tensões.
Após o fechamento dos mercados, Trump voltou a ameaçar o Irã com novos ataques militares caso o bloqueio do Estreito de Ormuz continue. O presidente afirmou que uma nova ofensiva poderia ser “vinte vezes mais forte”.
Especialistas apontam que a política de preços adotada pela Petrobras mudou de forma significativa nos últimos anos. A alteração ocorreu após o abandono do modelo conhecido como paridade de preço de importação, ou PPI.
Esse mecanismo determinava que os combustíveis vendidos no Brasil acompanhassem diretamente as variações do mercado internacional. Na prática, isso significava que aumentos no petróleo eram rapidamente repassados ao consumidor.
A diretora técnica do Instituto de Estudos Estratégicos em Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, Ticiana Álvares, afirma que a mudança criou maior flexibilidade para a estatal. “A política da Petrobras acompanhava 100% a trajetória dos preços internacionais. Essa política modificou e agora leva em consideração fatores internos, que é essa margem de manobra que a Petrobras tem”.
Com a nova política, a empresa passou a considerar elementos como custos de produção no país, capacidade de refino e logística de distribuição. Esses fatores podem permitir períodos de maior estabilidade de preços, mesmo quando o petróleo sobe no exterior.
Especialistas, porém, apontam limites para essa estratégia. O Brasil ainda depende da importação de derivados de petróleo, como gasolina e diesel. Quando o preço internacional sobe por muito tempo, a pressão sobre o mercado doméstico tende a aumentar.
Além disso, parte do parque de refino brasileiro já não está mais sob controle da Petrobras.“A refinaria da Bahia, a Rlam, foi privatizada. Logo, você tem menos mecanismos de segurar o preço dessas refinarias que foram privatizadas do que, por exemplo, a Petrobras tem”, finaliza Álvares.
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Mesmo com instrumentos para amortecer oscilações, analistas afirmam que crises geopolíticas prolongadas tendem a pressionar inevitavelmente o preço dos combustíveis. O desafio da Petrobras será equilibrar rentabilidade, estabilidade de preços e competitividade no mercado.