Petro diz que pode pegar em armas contra invasão após ameaça militar de Trump

Da redação de LexLegal
Um dia após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçar uma ação militar contra a Colômbia, o presidente colombiano, Gustavo Petro, afirmou nesta segunda-feira (5) que poderá voltar a pegar em armas para defender o país, se considerar necessário. O mandatário também declarou que determinou à força pública colombiana que atire contra qualquer “invasor”, reforçando o discurso de defesa da soberania nacional.
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As declarações foram publicadas pelo próprio Petro na rede social X e surgem em meio à escalada retórica entre Bogotá e Washington, intensificada depois da operação conduzida pelos Estados Unidos que resultou no sequestro do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, no sábado (3). Trump mencionou a possibilidade de estender ações militares a outros países da região, incluindo a Colômbia.
Petro recordou seu passado como integrante do movimento guerrilheiro M-19, nos anos 1980, e disse conhecer a realidade dos conflitos armados. “Embora eu não tenha sido militar, conheço a guerra e a clandestinidade. Jurei não empunhar mais uma arma desde o Pacto de Paz de 1989, mas pela Pátria pegarei novamente em armas, ainda que não queira”, escreveu o presidente colombiano.
O chefe de Estado afirmou ainda que a orientação às forças de segurança é clara quanto à defesa do território nacional. Segundo ele, comandantes que não estejam dispostos a proteger a soberania popular deverão deixar seus cargos. “Cada soldado da Colômbia tem agora uma ordem: todo comandante da força pública que preferir a bandeira dos Estados Unidos à bandeira da Colômbia deve se retirar imediatamente da instituição, por ordem das bases, da tropa e minha. A Constituição ordena à força pública que defenda a soberania popular”, declarou.
Na mesma manifestação, Petro ressaltou que a determinação às forças armadas e policiais não envolve repressão interna. “A ordem à força pública é não atirar contra o povo, mas sim contra o invasor”, afirmou.
O presidente também rebateu acusações feitas por Trump, que classificou a Colômbia como um país “doente” e afirmou, sem apresentar provas, que Petro gosta de produzir cocaína e vender a droga aos Estados Unidos. Petro respondeu destacando medidas adotadas por seu governo no combate ao narcotráfico e reforçou a legitimidade de seu mandato. “Não sou ilegítimo, nem sou narcotraficante. Só possuo minha casa de família, que ainda pago com meu salário. Meus extratos bancários foram publicados. Ninguém pôde dizer que gastei mais do que ganho. Não sou ambicioso”, escreveu.
O presidente colombiano disse ainda confiar na população como principal garantia contra ações externas. “Tenho enorme confiança no meu povo, e por isso pedi que o povo defenda o presidente de qualquer ato violento ilegítimo contra ele”, acrescentou.
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As declarações de Petro ocorrem em um contexto de crescente tensão regional, após a operação dos Estados Unidos na Venezuela e a transferência de Nicolás Maduro para Nova York, onde o líder venezuelano deve responder a acusações formuladas pela Justiça norte-americana. O episódio reacendeu críticas de governos latino-americanos sobre possíveis intervenções diretas de Washington na região.