Pesquisa revela que 47% das brasileiras já sofreram assédio no Carnaval

Da redação de LexLegal
Quase metade das mulheres brasileiras já foi vítima de assédio sexual durante o Carnaval. Um levantamento do Instituto Locomotiva aponta que 80% das foliãs têm medo de passar por experiências desse tipo, o que as obriga a criar estratégias de defesa para ocupar o espaço público.
Leia também: Correios leiloam 21 imóveis em 11 estados para abater rombo bilionário e financiar reforma
Para Maíra Saruê, diretora do instituto, o problema limita o direito ao lazer e o acesso das mulheres à cidade. “Para se proteger, elas precisam adotar estratégias individuais nesse momento que deveria ser de diversão, como só andar em grupo, planejar rotas mais seguras e evitar certos horários”, explica.
A pesquisa com 1.503 entrevistados expõe um abismo de percepção entre gêneros. Enquanto 12% dos homens acham aceitável roubar um beijo de uma mulher alcoolizada, o pensamento é amplamente rejeitado pela sociedade. Além disso, 23% dos homens creem que a roupa indica intenção de beijar.
O estudo indica que pensamentos machistas usados para justificar agressões acabam afastando o público feminino da festa. Muitas acreditam que o Carnaval se tornou um ambiente de risco porque parte dos foliões ainda enxerga o período como um cenário onde ninguém é de ninguém.
Embora 96% dos entrevistados reconheçam o valor das campanhas contra o assédio, a eficácia depende de uma mudança coletiva. “Isso tem que ser uma responsabilidade coletiva, porque não é um problema das mulheres, é um problema da sociedade como um todo”, conclui a diretora da pesquisa.
Veja também: Serviços crescem 2,8% em 2025 e engatam quinto ano seguido de alta
Apesar do cenário de insegurança, 86% dos brasileiros defendem que o combate à violência sexual é um dever de todos. O desafio das autoridades e organizadores de blocos agora é transformar esse consenso em ações práticas que garantam a integridade física das mulheres em todo o país.