Pediatra diz no tribunal que Henry Borel chegou a hospital tecnicamente morto

Pediatra diz no tribunal que Henry Borel chegou a hospital tecnicamente morto
Segundo depoimento em julgamento no Rio, marcas roxas foram vistas no corpo do menino/Brunno Dantas/TJRJ
Publicado em 28/05/2026 às 10:34

Da Redação de LexLegal

A pediatra Maria Cristina de Souza afirmou nesta quinta-feira que o menino Henry Borel deu entrada em uma unidade de pronto atendimento sem sinais vitais na madrugada de 8 de março de 2021. O depoimento foi prestado no terceiro dia de julgamento de Jairo de Souza Júnior, o Dr. Jairinho, e de Monique Medeiros, mãe da criança, no 2º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro. “Henry já chegou à unidade sem pulso e estava tecnicamente morto”, declarou Maria Cristina de Souza, pediatra que integrou o plantão médico no Hospital Barra d’Or.

De acordo com o relato prestado no tribunal, os procedimentos de emergência começaram em menos de um minuto após o desembarque da vítima na unidade hospitalar. Os esforços coordenados pela equipe médica para tentar reanimar o paciente duraram cerca de duas horas. A profissional de saúde relatou que os batimentos cardíacos não foram restabelecidos e confirmou a identificação de lesões na superfície cutânea do menor durante as manobras de socorro na sala de trauma.

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Manobras de socorro duraram duas horas e defesa obtém liminar para adiar depoimento

“Quando a equipe já avaliava encerrar o protocolo, encontramos Leniel. Ele pediu para que não desistíssemos de seu filho e continuamos”, afirmou Souza. A profissional de saúde explicou aos jurados e ao juízo que o prolongamento do protocolo seguiu um apelo emocional feito pelo pai da vítima nos corredores do hospital. O quadro clínico inicial envolvia ausência completa de pulsação e inchaço corporal generalizado.

“Chegou ao hospital sem pulso, inchado. Foi administrada uma dose de adrenalina e continuamos com a massagem cardíaca. Henry já estava tecnicamente morto”, acrescentou Souza. No depoimento judicial, a testemunha detalhou as condições físicas observadas no momento da internação. “notou durante o atendimento hematomas e marcas arroxeadas em várias regiões do corpo da criança, como tórax, abdômen, coxas e punhos”, disse a médica.

No campo jurídico do caso, os advogados de Jairo Santos Souza Júnior obtiveram uma liminar em habeas corpus para alterar o cronograma de manifestações. A ordem judicial determina que o réu seja ouvido somente após o término do depoimento de Monique Medeiros. O requerimento havia sido rejeitado anteriormente pela juíza Elizabeth Louro, responsável por presidir a sessão de julgamento.

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“Não é possível que aquele que está sendo acusado tenha de se manifestar antes da acusação. Isso é básico em qualquer Estado de Direito. Para se defender adequadamente, é necessário conhecer o conteúdo exato da acusação”, afirmou Rodrigo Faucz, advogado de defesa. Com o instrumento obtido, a banca de defesa argumenta que o acusado precisa ter ciência prévia de todas as declarações que constarão nos autos para estruturar seu direito de resposta.

SÃO PAULO WEATHER