Paciente do SUS já podem ser atendidos por planos de saúde em todo país

Paciente do SUS já podem ser atendidos por planos de saúde em todo país
Pacientes da rede pública poderão ser atendidos em hospitais e clínicas privadas de planos de saúde, em troca do abatimento de dívidas dessas operadoras com o SUS/Marcello Casal/Arquivo/Agência Brasil
Publicado em 04/08/2025 às 15:30

Da redação de LexLegal

Desde o início de agosto pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) podem ser atendidos gratuitamente por planos de saúde da rede privada. A medida foi viabilizada por uma portaria do Ministério da Saúde, apresentada pelo ministro Alexandre Padilha, que permite a conversão de dívidas de ressarcimento das operadoras em consultas, exames e cirurgias oferecidos diretamente à população.

Veja também: Samarco reabre prazo de indenizações para vítimas de rompimento de barragem em Mariana

Segundo a pasta, a iniciativa integra o programa Agora Tem Especialistas e tem como objetivo reduzir o tempo de espera por atendimento em áreas carentes de profissionais e serviços especializados. A expectativa é que, nesta primeira fase, cerca de R$ 750 milhões em dívidas das operadoras sejam transformados em atendimentos de média e alta complexidade.

Como funciona a iniciativa

Até então, as dívidas das operadoras com o SUS eram direcionadas ao Fundo Nacional de Saúde. Com a nova medida, as empresas poderão abater o valor que devem ao sistema público oferecendo procedimentos da própria rede privada a pacientes do SUS, sem custo para estes.

Os atendimentos contemplam seis áreas consideradas prioritárias: oncologia, oftalmologia, ortopedia, otorrinolaringologia, cardiologia e ginecologia. Além dessas especialidades, estados e municípios poderão indicar suas maiores necessidades locais, para que a oferta seja adequada à demanda.

Para aderirem à iniciativa, os planos de saúde deverão se inscrever em edital conjunto do Ministério da Saúde e da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Eles também precisarão comprovar capacidade técnica e estrutural para atender a quantidade de pacientes definida pelo programa.

“Para receberem pelo programa, os planos de saúde precisam realizar mais de 100 mil atendimentos/mês. De forma excepcional, será considerado valor mínimo de 50 mil/mês para planos de saúde de menor porte. Isso no caso de atendimentos de média e baixa complexidade realizados em regiões cuja demanda por esse tipo de serviço não seja plenamente atendida”, informou o Ministério da Saúde.

Cada serviço prestado pela operadora irá gerar um Certificado de Obrigação de Ressarcimento (COR), documento que será usado para abater a dívida com o SUS.

Fiscalização e garantias

A ANS reforçou que a medida não afeta o atendimento dos clientes dos planos de saúde. Segundo a diretora-presidente do órgão, Carla Soares, haverá monitoramento contínuo e aplicação de multas e penalidades caso as empresas descumpram as regras.

Leia também: Responsabilidade civil de influenciadores digitais em publicidades enganosas: entenda os riscos e o que diz a lei

“Não há qualquer espaço para que operadoras deixem de atender sua carteira de clientes para priorizar o SUS. Pelo contrário: é do interesse das operadoras que aderirem ao programa ampliar sua capacidade de atendimento, beneficiando tanto os usuários dos planos quanto os pacientes do SUS”, afirmou Carla.

O governo destaca que a medida deve reduzir filas e desafogar a rede pública, especialmente nas regiões que enfrentam maior dificuldade de acesso a consultas especializadas e exames complexos.

SÃO PAULO WEATHER