Oposição pede impeachment de Ibaneis após citação no caso Banco Master

Oposição pede impeachment de Ibaneis após citação no caso Banco Master
Governador Ibaneis Rocha nega interferência nas operações do BRB e diz que confiou na condução do ex-presidente da instituição/José Cruz/Agência Brasil
Publicado em 24/01/2026 às 11:00

Da redação de LexLegal

Partidos de oposição no Distrito Federal protocolaram pedidos de impeachment contra o governador Ibaneis Rocha após ele ser citado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, nas investigações que apuram a tentativa de venda da instituição privada ao Banco de Brasília (BRB). As representações foram apresentadas pelo PSB-DF, pelo Cidadania-DF e pelo PSOL, que apontam supostos crimes de responsabilidade relacionados à condução de operações envolvendo o banco público.

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Nos pedidos, as legendas sustentam que houve “atuação temerária” do governo local, com risco ao erário e violação de princípios básicos da administração pública. Entre os pontos mencionados estão a compra de ativos considerados de baixa qualidade, a criação de obrigações financeiras fora do orçamento, negociações sem transparência e eventual influência política em decisões internas do BRB.

Em resposta, Ibaneis negou qualquer interferência direta nas operações. Em declarações à imprensa nesta sexta-feira (23), o governador afirmou que nunca tratou do assunto com Daniel Vorcaro e que toda a condução das negociações foi responsabilidade de Paulo Henrique Costa, então presidente do BRB, demitido após o avanço das investigações.

“Em momento algum nas quatro vezes que o encontrei tratei de assuntos relacionados ao BRB–Master. Entrei mudo e saí calado. O único erro meu foi ter confiado demais no Paulo Henrique [Costa]”, afirmou Ibaneis.

O governador reconheceu encontros sociais com Vorcaro, incluindo um almoço em sua residência, mas disse que a reunião foi “organizada por um amigo em comum” e que não houve qualquer discussão sobre negócios envolvendo o banco público.

As investigações conduzidas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal indicam que o Banco Master teria vendido ao BRB cerca de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito inexistentes ou de qualidade duvidosa, numa tentativa de evitar a quebra da instituição privada, que enfrentava grave crise de liquidez. O episódio culminou na liquidação extrajudicial do Banco Master pelo Banco Central, em novembro.

O impacto estimado para o BRB pode chegar a R$ 4 bilhões. Segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo e pelo Valor Econômico, o Banco Central teria determinado um provisionamento mínimo de R$ 2,6 bilhões, medida que obriga a instituição a reservar recursos para cobrir eventuais prejuízos. Até o momento, o BC não confirmou oficialmente esse número.

As apurações também indicam que, ao longo de 2025, houve tentativa de aquisição de uma participação relevante do Banco Master pelo BRB, operação que teria contado com apoio do governo do Distrito Federal, acionista controlador do banco público, mas que acabou barrada pelo Banco Central.

Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, Daniel Vorcaro afirmou em depoimento à Polícia Federal que conversou “algumas vezes” com Ibaneis sobre as negociações. A informação se tornou pública após autorização do ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli para o acesso ao conteúdo do depoimento, prestado em 30 de dezembro.

Além das investigações da PF, do Ministério Público e do Banco Central, a nova gestão do BRB e uma auditoria independente analisam as operações realizadas nos últimos anos. Até agora, não há conclusão oficial divulgada sobre responsabilidades individuais.

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O avanço do pedido de impeachment dependerá da análise política e jurídica na Câmara Legislativa do Distrito Federal. O caso adiciona pressão institucional sobre o governo local em um momento de forte desgaste provocado pelas suspeitas de falhas graves de governança e gestão no principal banco público do DF.

SÃO PAULO WEATHER