Operação prende suspeitos de fraudar sistemas do CNJ

Operação prende suspeitos de fraudar sistemas do CNJ
Segunda fase da Veredicto Sombrio apura invasões a plataformas do Judiciário/CNJ
Publicado em 15/01/2026 às 12:01

Da redação de LexLegal

Um trabalho de inteligência conduzido pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI) do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), em parceria com a Corregedoria-Geral de Justiça de Minas Gerais (CGJ), resultou na prisão de duas pessoas suspeitas de integrar uma organização criminosa envolvida em tentativas de fraude contra sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). As prisões ocorreram nesta quarta-feira (14), durante a segunda fase da operação “Veredicto Sombrio”, deflagrada pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG).

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A nova etapa da operação dá sequência às apurações iniciadas em dezembro e busca aprofundar a identificação de outros integrantes do grupo e a extensão das tentativas de invasão aos sistemas judiciais. Segundo a Polícia Civil, as investigações continuam em andamento para dimensionar o alcance dos crimes e verificar se outras estruturas do Judiciário foram afetadas.

Durante a apresentação dos presos à imprensa, o Tribunal de Justiça foi representado pela juíza da Corregedoria-Geral de Justiça, Andréa Cristina de Miranda Costa. Ela destacou que o TJMG acionou imediatamente seus mecanismos de segurança assim que identificou indícios de invasão nos sistemas judiciais.

“É preciso esclarecer à população que todos os integrantes do Poder Judiciário estão atentos a tentativas de invasões e que não iremos tolerar este tipo de conduta em Minas Gerais. Prova disso, é o êxito desta operação conjunta entre o GSI, a CGJ e a polícia civil”.

A magistrada ressaltou que a atuação rápida das instituições envolvidas foi essencial para interromper os acessos fraudulentos e impedir danos maiores aos sistemas do Judiciário. Segundo ela, a cooperação entre os órgãos de segurança e o Judiciário reforça a capacidade de resposta diante de crimes cibernéticos cada vez mais sofisticados.

De acordo com as investigações, os suspeitos utilizavam de forma indevida credenciais vinculadas a magistrados e servidores do TJMG para acessar plataformas consideradas estratégicas. Entre os sistemas atingidos estão o Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões (BNMP), o Sistema de Busca de Ativos do Poder Judiciário (Sisbajud) e o Registro Nacional de Veículos Automotores Judicial (Renajud).

Essas plataformas são essenciais para a execução de decisões judiciais em todo o país. O BNMP concentra informações sobre mandados de prisão e medidas penais. O Sisbajud é utilizado para localizar e bloquear valores em contas bancárias por ordem judicial. Já o Renajud permite a restrição judicial de veículos, como bloqueios de transferência e circulação. O acesso indevido a esses sistemas pode causar impactos diretos em processos criminais, execuções financeiras e cumprimento de decisões judiciais.

A ação desta quarta-feira prendeu dois integrantes do grupo, entre eles um apontado como um dos chefes da organização criminosa. Participaram da coletiva de imprensa os delegados Leandro Matos, Bráulio Vinícius Drummond e Marcus Vinícius Lobo Leite Vieira, responsáveis pela condução das investigações na Polícia Civil.

A operação contou ainda com o apoio da Divisão de Segurança da Informação (Disi), órgão do CNJ responsável pela proteção dos sistemas nacionais do Judiciário, além do Departamento Estadual de Operações Especiais (Deoesp) e da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) da PCMG.

A segunda fase da Veredicto Sombrio amplia a resposta institucional contra crimes que envolvem a exploração de vulnerabilidades tecnológicas do sistema de Justiça. Nos últimos anos, ataques a plataformas judiciais passaram a representar um risco não apenas operacional, mas também institucional, ao comprometer a credibilidade das decisões judiciais e a segurança dos dados processuais.

A primeira fase da operação foi deflagrada em 10 de dezembro de 2025, nas cidades de Belo Horizonte, Sete Lagoas, na região Central, e Jacutinga, no Sul de Minas. Na ocasião, nove pessoas foram presas, todas suspeitas de participação no mesmo esquema de invasão a sistemas do Judiciário.

Segundo a Polícia Civil, além das fraudes contra plataformas judiciais, o grupo também atuava em outras frentes criminosas, como golpes do falso advogado e esquemas de fraude que provocaram prejuízos relevantes a empresas e instituições financeiras. Como parte daquela etapa, foi determinado o bloqueio de aproximadamente R$ 40 milhões em bens e valores, incluindo cerca de US$ 180 mil em criptoativos.

Esses dados indicam que a atuação da organização criminosa não se limitava à esfera digital do Judiciário, mas se estendia a crimes patrimoniais complexos, com uso de tecnologia e estratégias de ocultação de recursos.

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A continuidade da operação reforça a preocupação das autoridades com a segurança dos sistemas judiciais em um contexto de crescente digitalização da Justiça. O uso intensivo de plataformas eletrônicas tornou os tribunais mais eficientes, mas também ampliou a superfície de exposição a ataques cibernéticos e fraudes estruturadas.

Para investigadores e magistrados envolvidos no caso, o sucesso das duas fases da Veredicto Sombrio demonstra a importância da integração entre Judiciário, polícia e órgãos técnicos de tecnologia da informação. A expectativa é que novas diligências permitam identificar outros integrantes do grupo e eventuais ramificações em outros estados.

SÃO PAULO WEATHER