Operação mira esquema de roubo de medicamentos oncológicos

Operação mira esquema de roubo de medicamentos oncológicos
Polícia investiga uso de empresas de fachada para revender medicamentos a hospitais públicos e privados/Pexels/Pixabay
Publicado em 21/07/2026 às 17:00

Da Redação de LexLegal

A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou nesta terça-feira (21) a Operação Metástase contra um grupo suspeito de roubar medicamentos oncológicos e imunossupressores e recolocar os produtos no mercado. Segundo a investigação, o esquema movimentou mais de R$ 33 milhões entre 2025 e 2026.

A Justiça também autorizou o bloqueio de R$ 30 milhões em contas e a apreensão judicial de imóveis, veículos de luxo e outros bens ligados aos investigados. As buscas ocorrem no Rio de Janeiro, em São Paulo, Goiás e Pará.

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Operação cumpre mandados em quatro estados

A ação é conduzida pela Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas da Capital. Os mandados atingem suspeitos de participar dos roubos, do armazenamento, da movimentação financeira e da revenda dos medicamentos.

No Rio, as diligências se concentram no Complexo da Maré e na Baixada Fluminense. Policiais dos outros três estados auxiliam no cumprimento das ordens judiciais.

A investigação atribui ao grupo a participação em pelo menos 20 roubos de cargas nos últimos seis meses. Os alvos seriam medicamentos de alto valor destinados ao tratamento de pacientes com câncer, transplantados e pessoas com doenças autoimunes.

Produtos chegavam a hospitais

Após os roubos, as cargas eram levadas ao Complexo da Maré, segundo a Polícia Civil do Rio. A investigação aponta que integrantes do Terceiro Comando Puro ofereciam proteção territorial ao grupo responsável pelos crimes.

Os medicamentos eram armazenados, separados e enviados para outros estados. A distribuição utilizava transportadoras, entregadores, intermediários e pessoas que emprestavam seus nomes para esconder os verdadeiros responsáveis pelas transações.

A polícia identificou cerca de 25 empresas suspeitas de integrar o esquema. Essas companhias estariam distribuídas entre Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás e Pará e teriam sido usadas para disfarçar a origem dos produtos e movimentar o dinheiro.

Parte dos medicamentos teria sido revendida a hospitais privados. A apuração também encontrou indícios de fornecimento a instituições públicas por meio de licitações, com preços inferiores aos cobrados por distribuidores regulares.

Empresas de fachada escondiam origem da carga

Empresas de fachada existem formalmente, mas são usadas para encobrir atividades ou operações de terceiros. Nesse caso, elas teriam emitido documentos e participado da circulação comercial dos medicamentos para dar aparência regular aos produtos roubados.

A organização também teria recrutado funcionários de transportadoras para obter informações sobre rotas, horários e cargas. Os investigadores identificaram núcleos responsáveis por diferentes etapas, desde a obtenção dos produtos até a venda aos compradores finais.

O bloqueio de contas busca impedir que o dinheiro seja transferido ou retirado durante a investigação. Já o sequestro de bens, termo jurídico usado nesse tipo de processo, impede a venda ou ocultação de imóveis, automóveis e outros patrimônios que podem ter relação com o crime.

Medicamentos podem perder eficácia

O caso envolve risco que ultrapassa o prejuízo financeiro. Medicamentos oncológicos e imunossupressores precisam seguir condições específicas de temperatura, transporte e armazenamento. A interrupção desse controle pode comprometer o produto.

“Medicamentos oncológicos e imunossupressores exigem rigoroso controle de temperatura e armazenamento durante todo o transporte. Quando mantidos em condições inadequadas, podem perder a eficácia, sofrer contaminação ou até gerar substâncias nocivas”, informou a Polícia Civil do Rio de Janeiro.

Além do risco relacionado à conservação, o roubo de cargas pode reduzir a disponibilidade de medicamentos nas redes pública e privada. A origem irregular também impede que hospitais confirmem se o produto foi transportado e armazenado de acordo com as regras sanitárias.

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A investigação busca agora identificar todos os participantes, rastrear o dinheiro movimentado e verificar quais instituições receberam os medicamentos. As responsabilidades individuais ainda serão apuradas, e os investigados terão direito de apresentar defesa durante o processo. 

SÃO PAULO WEATHER