Operação em Paraisópolis deixa um morto e 11 presos em ação contra quadrilha de roubos

Da redação de LexLegal
Uma operação da Polícia Civil de São Paulo deixou um homem morto e 11 presos na comunidade de Paraisópolis, zona sul da capital paulista. Batizada de Conexões Ocultas, a ação teve como objetivo desarticular uma organização criminosa especializada em roubos, latrocínios (roubo seguido de morte) e receptação de celulares, joias e motocicletas.
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De acordo com o delegado-geral Artur Dian, o confronto aconteceu no momento da prisão de um dos suspeitos. “Durante a ação, um dos indivíduos, no momento de sua prisão, atentou contra a vida de um policial, disparando contra esse policial. E, como necessidade de repelir essa agressão injusta e neutralizar o indivíduo, ele veio a óbito. Esse fato está sendo apurado”, afirmou Dian. Nenhum agente foi ferido.
Alvo: rede de roubo e receptação
A investigação mirou tanto os autores dos roubos e homicídios quanto os receptadores — responsáveis por repassar os produtos roubados — e suspeitos de fornecer armas e placas adulteradas para o grupo. Ao todo, a Justiça de São Paulo expediu 36 mandados de prisão e 43 de busca e apreensão, cumpridos em Paraisópolis e em presídios do estado.
Segundo o delegado-geral, o inquérito teve início em 2023, após a tentativa de latrocínio contra um major da Força Aérea Brasileira (FAB). “Todas essas evidências e indícios colhidos durante essa investigação nos levaram a um robusto material que nos permitiu a representação de 36 mandados de prisão e mais de 40 mandados de busca na comunidade de Paraisópolis”, explicou Dian.
Ele detalhou que 15 mandados foram cumpridos, sendo 11 prisões na comunidade e quatro em unidades prisionais, onde investigados já estavam detidos.
Assassinato de delegado motivou operação
Entre os crimes que motivaram a ofensiva policial está a morte do delegado Josenildo Belarmino de Moura, em janeiro deste ano. Segundo as investigações, dois dos presos nesta quinta-feira estavam em posse de celulares roubados pelos mesmos autores do homicídio. O atirador e outros três envolvidos já haviam sido detidos anteriormente.
O diretor do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), Ronaldo Sayeg, afirmou que a operação foi nomeada “Conexões Ocultas” porque revelou uma rede complexa de intermediação de produtos roubados.
“As conexões ocultas vão se revelando com as investigações. É uma grande corrente com vários elos. Nossa ideia é romper essa corrente para, assim, impedir esse ciclo criminoso”, disse Sayeg.
Cadeia do crime e impacto econômico
De acordo com o delegado, o esquema seguia um padrão de distribuição típico do crime organizado, que começa com o roubo, passa por agentes intermediários e termina na revenda de produtos no mercado formal ou clandestino, inclusive com envio ao exterior.
“Isso começa com a compra do ouro ou celular. Aí vem o roubador, que rouba o celular. Depois tem o agente receptador, que vai colocar esse ouro ou esse celular de volta no mercado ou para fora do país. Nossa ideia é romper esse elo, essa corrente”, explicou Sayeg.
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A Polícia Civil afirma que novas diligências devem ocorrer nas próximas semanas para rastrear os canais de revenda e financiamento das atividades do grupo.