Operação desarticula esquema de apostas e lavagem de R$ 130 milhões no Rio

Da redação de LexLegal
A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou a Operação Banca Suja, voltada a desarticular uma organização criminosa envolvida em apostas ilegais, fraudes financeiras e lavagem de dinheiro. A ação ocorreu em Duque de Caxias, Belford Roxo e na capital fluminense, resultando no bloqueio de R$ 65 milhões em contas bancárias e na apreensão de R$ 2,2 milhões em bens, incluindo oito automóveis de luxo.
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Segundo as investigações, o grupo movimentou mais de R$ 130 milhões em três anos por meio de empresas de fachada, transações fracionadas e operações simuladas, criadas para disfarçar a origem ilícita dos valores.
“Seguir o dinheiro” para desmontar o crime
De acordo com o secretário de Polícia Civil, delegado Felipe Curi, a principal estratégia da operação foi “seguir o dinheiro” — metodologia usada para atingir a base financeira das quadrilhas.
“Ao seguir o dinheiro e atacar os fluxos financeiros, a Polícia Civil vai além da repressão direta e enfraquece as estruturas econômicas que sustentam redes criminosas. Isso corrige desequilíbrios e protege as empresas que atuam de forma legal”, afirmou Curi.
As apurações revelaram ligações entre o grupo e a chamada máfia do cigarro, com base em Duque de Caxias. Empresas ligadas ao comércio de filtros de cigarro recebiam transferências suspeitas de pessoas jurídicas associadas ao núcleo principal da organização criminosa, evidenciando um esquema de articulação interestadual e nacionalincomum no estado.
Recuperação de ativos e impacto econômico
Para o delegado Henrique Damasceno, diretor do Departamento-Geral de Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (DGCOR-LD), a operação tem papel estratégico no enfraquecimento econômico das facções.
“Ações como esta, que resultam no bloqueio de dezenas de milhões de reais, têm papel fundamental: o dinheiro recuperado pode ser revertido em favor da própria Polícia Civil, fortalecendo o combate ao crime organizado e enfraquecendo as facções”, destacou.
As investigações indicam também possível envolvimento do grupo em homicídios de rivais e ex-integrantes, executados para manter o domínio sobre os negócios ilícitos.
Estrutura sofisticada e distorção de mercado
Segundo o delegado Renan Mello, da Delegacia de Combate às Organizações Criminosas e à Lavagem de Dinheiro (DCOC-LD), o grupo mantinha uma rede complexa de empresas com alta movimentação financeira.
“Identificamos empresas que movimentaram milhões em poucos meses, com o objetivo de dar aparência de legalidade a recursos criminosos. Essa distorção prejudica o mercado legítimo e distorce a concorrência”, explicou Mello.
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A Operação Banca Suja faz parte de um conjunto de ações voltadas à recuperação de ativos e repressão financeirade organizações criminosas no estado do Rio de Janeiro, com foco na desarticulação de grupos que utilizam apostas online e comércio ilícito de produtos como fachada para lavagem de dinheiro.