Open finance completa 5 anos e desafia bancos e empresas com novos modelos digitais

Da redação de LexLegal
A cena que hoje parece simples — pagar um café por Pix apenas aproximando o celular da maquininha, sem abrir o aplicativo do banco — ilustra como a tecnologia mudou o cotidiano financeiro do brasileiro. Mas o que muitos não percebem é que essa praticidade só foi possível graças ao open finance, sistema que completou cinco anos na semana passada e que se tornou a base de inovações como o Pix por aproximação e o Pix automático, lançado em junho.
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O open finance é, na prática, o compartilhamento de dados financeiros entre bancos, fintechs e empresas, sempre com autorização do cliente, que pode revogar o consentimento quando quiser. A operação é regida pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e já está presente em funcionalidades do dia a dia, como a consulta de saldos de várias contas em uma única tela, a autorização de cobranças recorrentes em aplicativos de banco e até mesmo na oferta de crédito mais barato a bons pagadores.
De acordo com dados do setor, o open finance aumentou em até 30% a taxa de aprovação de operações de crédito no país, ampliando o acesso a financiamentos e fortalecendo a competição entre instituições financeiras. Desde abril de 2023, o sistema passou a englobar também investimentos, câmbio, seguros, previdência privada, capitalização e credenciamento.
Obstáculos de implementação
Apesar dos avanços, a expansão ainda enfrenta gargalos técnicos. Segundo a Associação dos Iniciadores de Transação de Pagamento (Init), cerca de 50% a 60% das operações realizadas no open finance apresentam algum tipo de erro. “O desafio é elevar essa taxa para 99,5%, como ocorre com os cartões de crédito e débito”, explica Gustavo Lino, diretor-executivo da entidade.
Ele destaca, no entanto, que a segurança é um ponto forte do modelo: “A segurança das transações no open finance é excelente. Os casos de fraude e golpes são ínfimos”. Como exemplo, Lino cita o Pix por aproximação, em que o cliente pode conferir o valor no próprio celular antes de concluir o pagamento — algo que não ocorre nos cartões de crédito e débito, em que a checagem é feita apenas na maquininha do comerciante.
Outro desafio está na adesão das empresas. Em 2024, foram contabilizados mais de 40 milhões de consentimentos de pessoas físicas, mas pouco mais de 400 mil de pessoas jurídicas. Para Jonatas Giovinazzo, diretor-presidente da Init, questões burocráticas e tecnológicas atrapalham o avanço: “Há empresas com mais de 200 contas bancárias e com maquininhas em várias filiais. Os pagamentos precisam vir identificados no open finance da mesma forma que no internet banking para poderem ser lançados na contabilidade”.
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Além disso, há discussões sobre quem deve autorizar o consentimento de dados — sócios ou funcionários — e sobre como registrar transações realizadas em finais de semana nos extratos.
Empresas em foco
A expectativa é que as empresas passem a liderar o volume financeiro do open finance. “Para a pequena e a média empresa, esse sistema vem em boa hora. Porque elas ganham poder de barganha para crédito com bancos e diminuem as dificuldades de oferecer garantias. No futuro, a maior parte do volume financeiro virá de pessoas jurídicas”, avalia Lino.
Uma das soluções em estudo pelo Banco Central e pelas entidades do setor é o Pix em lotes, que permitiria a grandes empresas processar várias transações simultâneas sem que o sistema seja bloqueado por segurança. “O processamento em lotes ajudaria a superar esse gargalo”, afirma Giovinazzo.
Em fevereiro de 2026, o Banco Central pretende avançar ainda mais, com o lançamento da portabilidade de crédito por meio do open finance. A ideia é permitir que o correntista transfira operações de crédito entre bancos usando o compartilhamento de dados. A expectativa é que, em seguida, a portabilidade seja estendida ao crédito consignado, hoje restrito ao aplicativo do banco ou à Carteira de Trabalho Digital.
Se implementado, o sistema permitirá que o trabalhador use diretamente o open finance para transferir seu crédito, sem depender de plataformas específicas. Essa inovação pode gerar impacto significativo em um mercado bilionário e altamente competitivo.
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Com cinco anos de existência, o open finance já mostrou sua força ao integrar inovações como o Pix por aproximação e o Pix automático. Mas, para consolidar seu papel no sistema financeiro nacional, precisa superar barreiras técnicas, ampliar a adesão das empresas e garantir ao consumidor final a confiança de que seus dados estão sendo usados de forma segura e transparente.