ONS determina aumento do uso de térmicas para garantir energia no segundo semestre

Da redação de LexLegal
Em resposta aos desafios impostos pela estiagem prolongada e à transição entre os períodos seco e úmido, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) determinou a intensificação da geração térmica no país. A medida foi tomada em conjunto com o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) e visa garantir a estabilidade do fornecimento de energia elétrica ao Sistema Interligado Nacional (SIN) no segundo semestre de 2025.
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A determinação inclui não apenas a maximização da produção de energia pelas usinas termelétricas, como também a prontidão dessas unidades para suprir eventuais aumentos na demanda. A decisão reflete a preocupação das autoridades com a capacidade de atendimento de carga e potência diante das atuais condições hidrológicas, sobretudo na região Sul, onde os níveis dos reservatórios foram prejudicados por meses de chuvas abaixo da média.
“O foco agora é garantir o atendimento à demanda de potência e iniciar a recuperação dos reservatórios, especialmente no Sul”, explicou o diretor-geral do ONS, Marcio Rea. “Há uma perspectiva de elevação dos níveis a partir de agosto, mas seguimos atentos à região”, completou.
Durante reunião ordinária realizada em junho, o ONS apresentou ao CMSE um conjunto de propostas operativas que envolvem, entre outras medidas, o uso da capacidade de modulação das usinas hidrelétricas situadas no rio São Francisco e da Usina Hidrelétrica de Itaipu. Essas unidades, estrategicamente posicionadas no sistema, podem ajustar sua geração conforme a necessidade de reforço de potência em horários de maior consumo.
O CMSE também decidiu manter o monitoramento reforçado do subsistema Sul, que vem enfrentando dificuldades devido ao regime hidrológico adverso. O acompanhamento contínuo busca identificar antecipadamente possíveis riscos ao fornecimento e implementar medidas corretivas com agilidade.
A operação do Sistema Interligado Nacional é uma atividade crítica para a segurança energética do Brasil. O SIN conecta praticamente todas as regiões do país, permitindo o intercâmbio de energia entre estados e o aproveitamento de diferentes fontes de geração, como hidrelétricas, termelétricas, solares e eólicas.
Com o aumento do consumo de energia esperado para o segundo semestre, especialmente com a retomada de atividades econômicas e maior uso de sistemas de refrigeração em períodos de calor fora de época, a pressão sobre a matriz energética tende a crescer. Por isso, o planejamento antecipado e a adoção de medidas preventivas se tornam fundamentais para evitar sobrecargas, apagões e impactos sobre os consumidores residenciais e industriais.
A preocupação com o abastecimento ocorre em um momento de elevação nas tarifas. Em São Paulo, por exemplo, a energia elétrica ficará mais cara a partir do dia 4 de julho, reflexo do reajuste aprovado pela Aneel. Além disso, a bandeira tarifária vermelha, que indica custo adicional na geração, permanece em vigor no mês de julho, segundo comunicado recente da agência reguladora.
Essas condições tornam a coordenação entre ONS, CMSE e agentes do setor ainda mais estratégica. Cabe ao ONS o controle e coordenação da operação das usinas e linhas de transmissão conectadas ao SIN, garantindo que os recursos disponíveis sejam usados de forma eficiente e segura. Já o CMSE tem o papel de acompanhar de perto o desempenho do sistema elétrico nacional, propondo ações corretivas quando surgem sinais de risco ao suprimento.
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Entre os desafios operacionais destacados está o equilíbrio entre o uso dos reservatórios e a ativação das termelétricas. Embora a geração térmica seja fundamental para garantir a potência necessária, ela também representa custos mais altos e maiores impactos ambientais, por depender de combustíveis fósseis. O ideal, segundo especialistas, é usá-la como complemento à geração hídrica, mantendo o foco em fontes renováveis sempre que possível.