ONS determina aumento do uso de térmicas para garantir energia no segundo semestre

ONS determina aumento do uso de térmicas para garantir energia no segundo semestre
ONS determina reforço da geração térmica e prontidão das usinas para enfrentar período seco/Agência Brasil
Publicado em 03/07/2025 às 11:30

Da redação de LexLegal

Em resposta aos desafios impostos pela estiagem prolongada e à transição entre os períodos seco e úmido, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) determinou a intensificação da geração térmica no país. A medida foi tomada em conjunto com o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) e visa garantir a estabilidade do fornecimento de energia elétrica ao Sistema Interligado Nacional (SIN) no segundo semestre de 2025.

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A determinação inclui não apenas a maximização da produção de energia pelas usinas termelétricas, como também a prontidão dessas unidades para suprir eventuais aumentos na demanda. A decisão reflete a preocupação das autoridades com a capacidade de atendimento de carga e potência diante das atuais condições hidrológicas, sobretudo na região Sul, onde os níveis dos reservatórios foram prejudicados por meses de chuvas abaixo da média.

“O foco agora é garantir o atendimento à demanda de potência e iniciar a recuperação dos reservatórios, especialmente no Sul”, explicou o diretor-geral do ONS, Marcio Rea. “Há uma perspectiva de elevação dos níveis a partir de agosto, mas seguimos atentos à região”, completou.

Durante reunião ordinária realizada em junho, o ONS apresentou ao CMSE um conjunto de propostas operativas que envolvem, entre outras medidas, o uso da capacidade de modulação das usinas hidrelétricas situadas no rio São Francisco e da Usina Hidrelétrica de Itaipu. Essas unidades, estrategicamente posicionadas no sistema, podem ajustar sua geração conforme a necessidade de reforço de potência em horários de maior consumo.

O CMSE também decidiu manter o monitoramento reforçado do subsistema Sul, que vem enfrentando dificuldades devido ao regime hidrológico adverso. O acompanhamento contínuo busca identificar antecipadamente possíveis riscos ao fornecimento e implementar medidas corretivas com agilidade.

A operação do Sistema Interligado Nacional é uma atividade crítica para a segurança energética do Brasil. O SIN conecta praticamente todas as regiões do país, permitindo o intercâmbio de energia entre estados e o aproveitamento de diferentes fontes de geração, como hidrelétricas, termelétricas, solares e eólicas.

Com o aumento do consumo de energia esperado para o segundo semestre, especialmente com a retomada de atividades econômicas e maior uso de sistemas de refrigeração em períodos de calor fora de época, a pressão sobre a matriz energética tende a crescer. Por isso, o planejamento antecipado e a adoção de medidas preventivas se tornam fundamentais para evitar sobrecargas, apagões e impactos sobre os consumidores residenciais e industriais.

A preocupação com o abastecimento ocorre em um momento de elevação nas tarifas. Em São Paulo, por exemplo, a energia elétrica ficará mais cara a partir do dia 4 de julho, reflexo do reajuste aprovado pela Aneel. Além disso, a bandeira tarifária vermelha, que indica custo adicional na geração, permanece em vigor no mês de julho, segundo comunicado recente da agência reguladora.

Essas condições tornam a coordenação entre ONS, CMSE e agentes do setor ainda mais estratégica. Cabe ao ONS o controle e coordenação da operação das usinas e linhas de transmissão conectadas ao SIN, garantindo que os recursos disponíveis sejam usados de forma eficiente e segura. Já o CMSE tem o papel de acompanhar de perto o desempenho do sistema elétrico nacional, propondo ações corretivas quando surgem sinais de risco ao suprimento.

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Entre os desafios operacionais destacados está o equilíbrio entre o uso dos reservatórios e a ativação das termelétricas. Embora a geração térmica seja fundamental para garantir a potência necessária, ela também representa custos mais altos e maiores impactos ambientais, por depender de combustíveis fósseis. O ideal, segundo especialistas, é usá-la como complemento à geração hídrica, mantendo o foco em fontes renováveis sempre que possível.

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