O impacto politico do tarifaço

O impacto politico do tarifaço
60% aprovam a condução do governo nesse campo, contra 39% que reprovam/Agência Brasil
Publicado em 15/07/2025 às 15:00

André Pereira César – Brasília

Após uma série de reveses e notícias ruins, pesquisa Atlas/Intel divulgada hoje mostra uma leve melhora na avaliação do governo Lula (PT) pela opinião pública. O levantamento foi realizado em todo o país logo após o anúncio do chamado “tarifaço” pelo republicano Donald Trump.

Aos números. A avaliação do presidente da República registra empate – 50% aprovam, 50% desaprovam. Aqui, temos ligeira melhora em relação ao levantamento anterior, de junho – 52% de desaprovação, 47% de aprovação.

Quanto ao governo em si, o ruim péssimo passou de 51% em junho para 49% agora, enquanto o ótimo/bom foi de 41% para 43%. Nesse caso, aqueles que avaliam a atual gestão regular mantiveram os 7% do último mês.

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Interessante observar como o eleitor vê a política externa do atual governo. Nada menos que 60% aprovam a condução do governo nesse campo, contra 39% que reprovam. Essa diferença talvez tenha como explicação a maior exposição de Lula junto à comunidade internacional – BRICS, COP30 e presidência temporária do G20, por exemplo.

Enfim, trata-se de uma hipótese. Aliás, a comparação com o governo de Jair Bolsonaro (PL) apresenta números similares – 61% consideram a atuação do atual mandatário melhor que a de seu antecessor (39%). Lembremos que o ex-presidente teve um desempenho discreto e em alguns momentos polêmicos no terreno internacional.

Sobre blocos e países, 38% acreditam que o Brasil deve se alinhar mais proximamente com o BRICS, enquanto 31% defendem os Estados Unidos, 13% a China e 8% a União Europeia. Dado o atual cenário (tarifaço), a defesa da aproximação com o bloco do “Sul Global” pode aumentar.

Por falar em tarifaço, chegamos ao coração da pesquisa. A medida anunciada por Trump é considerada “injustificada” por 62% dos entrevistados, contra 37% que avaliam-na como justificada. Já a motivação do movimento do presidente norte-americano tem a participação do Brasil no BRICS apontada por 41% dos entrevistados, 37% a proximidade da família Bolsonaro com o republicano e 17% como retaliação a decisões do Supremo Tribunal Federal (STF).

No limite, a pesquisa mostra que a medida do governo norte-americano não caiu bem para a oposição mais alinhada ao bolsonarismo, o que se reflete na posição titubeante do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), não por acaso pré candidato à sucessão presidencial. Do outro lado, o governo Lula respira.

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Concluindo, o Planalto pode comemorar por ora, mas o jogo segue.

*André Pereira César é cientista político e sócio da Hold Assessoria Legislativa.

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