O impacto do programa “Defenda-se” no enfrentamento da violência de gênero

O impacto do programa “Defenda-se” no enfrentamento da violência de gênero
Estudos mostram que estruturas patriarcais sustentam a desigualdade de gênero, moldam normas sociais que subjugam mulheres e perpetuam a violência sobre elas como instrumento de controle/Freepik
Publicado em 11/06/2025 às 11:30

Celeste Leite dos Santos*

A violência de gênero é uma questão crítica global. Segundo dados de 2021 da World Health Organization, uma em cada três mulheres, no mundo, já sofreu violência física ou sexual.

Veja também: Brasil renova medida que facilita refúgio para mulheres e meninas vítimas de mutilação genital

Estudos mostram que estruturas patriarcais sustentam a desigualdade de gênero, moldam normas sociais que subjugam mulheres e perpetuam a violência sobre elas como instrumento de controle. Também apontam para a necessidade de uma profunda transformação social para que seja possível alguma mudança neste cenário.

Não são poucos os especialistas na questão que atestam que, muitos agressores utilizam estratégias de controle e de manipulação para manter poder sobre suas vítimas, minimizando ou justificando suas ações violentas. Compreender esses comportamentos é essencial para que as vítimas possam reconhecer o ilícito e responder a sinais de alerta em situações de perigo.

Informação e orientação, portanto, são fundamentais. E, neste cenário, destaca-se o programa Defenda-se! Transformando Dor em Conhecimento – iniciativa colocada em prática pelo Instituto Brasileiro de Atenção e Proteção Integral a Vítimas (Pró-Vítima) em parceria com o Instituto Paulo Kobayashi, e que conta com o apoio do Ministério da Mulher, do Governo Federal.

O projeto atua de forma multidisciplinar, abrangente e transformadora, oferecendo, de graça, treinamento em defesa pessoal e, não menos importante, acolhimento emocional, físico e jurídico. As aulas e os atendimentos acontecem na sede do Centro Educacional Dom Orione (rua Treze de Maio, 478, 2º andar – Bela Vista, São Paulo-SP). Qualquer mulher, maior de idade, pode participar, desde que residente na capital.

Leia também: 130 homens e 3 mulheres: o que a nova Fiesp revela sobre o poder no Brasil e no mundo jurídico?

O curso de autodefesa melhora a autoconfiança das alunas (hoje, quase 200) e as capacitam a reagir proativamente a situações de perigo. O treinamento também impacta positivamente no bem-estar psíquico e social de quem o pratica.

Já com o serviço de acolhimento emocional, o programa oferece um espaço seguro para que as mulheres inscritas na iniciativa compartilhem suas experiências e fortaleçam suas resiliências, com direito à superação de traumas, à recuperação emocional e, principalmente, a sensação de que não estão sozinhas.

Alongamento e avaliação fisioterapêutica, também disponibilizadas, gratuitamente, pelo “Defenda-se”, contribuem para a prevenção de lesões e a promoção do bem-estar geral. Com orientação jurídica e conscientização, o programa ajuda mulheres a reconhecerem e a responderem a padrões de comportamento abusivo.

O projeto abarca, ainda, capacitações específicas em Direitos das Vítimas e das Mulheres. Nos dias 13 e 14 de agosto, das 9h às 13h, dentro do escopo do “Defenda-se”, a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) sediará o evento “Direitos das Vítimas: o Estatuto da Vítima na Defesa dos Direitos das Mulheres“. Na ocasião, será lançado o livro Estatuto da Vítima.

Leia também: Orçamento público e desafios de gênero no direito tributário

“Defenda-se”, portanto, é vital na luta pela igualdade de gênero. Promove a transformação social, por meio de conscientização, de suporte e de empoderamento. Trata-se de iniciativa essencial, que transforma dor em conhecimento e em poder, ao disponibilizar às mulheres vítimas ou não de violência urbana ou doméstica as ferramentas para um futuro mais seguro.

*Celeste Leite dos Santos é presidente do Instituto Brasileiro de Atenção Integral à Vítima (Pró-Vítima); promotora de Justiça em Último Grau do Colégio Recursal do Ministério Público (MP) de São Paulo; e idealizadora do Estatuto da Vítima.

SÃO PAULO WEATHER