O Copom “tem que” iniciar o corte da Selic

O Copom “tem que” iniciar o corte da Selic
Mercados acompanham com atenção as decisões do Banco Central e do Federal Reserve, com foco especial no tom dos comunicados e nos sinais sobre os próximos passos da política monetária/Freepik
Publicado em 26/01/2026 às 7:00

André Perfeito*

A semana se inicia com grande expectativa sobre a decisão de política monetária tanto no Brasil quanto nos EUA menos pelo comportamento da taxa em si, que em ambos os casos o mercado trabalha com manutenção, mas antes pela comunicação.

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No caso brasileiro a perspectiva consensual é de manutenção, mas provavelmente vão abrir a porta para o início do corte na reunião de março. Este “balão de ensaio” que busca preparar o mercado para o início do corte é um instrumento clássico do Copom e devem usar esse mecanismo mais uma vez.

Quando se fala de juros, como qualquer outro ativo financeiro, temos que falar não o que acreditamos ser o correto, mas antes o que achamos o que o outro acha (afinal tomamos preço, não formamos preço) e nesse caso estamos falando do Banco Central. Contudo vou argumentar o que eu acho que seria o correto a ser feito sob pena de não ser isso que eu acho que eles acham.

Se deveria iniciar o corte de juros em janeiro por alguns motivos, a saber:

1-) como vimos recentemente o dólar continua se enfraquecendo, logo não vai ser um corte pequeno na taxa básica no Brasil que irá inverter essa tendência global do dólar,

2-) a despeito dos juros reais estarem em patamares elevados não será os juros que irão domar a demanda, a demanda irá se acomodar pelo simples fato que a taxa de desemprego já caiu bastante, logo fica cada vez mais difícil continuar melhorando o mercado de trabalho,

3-) se o BCB acha que tem espaço para cortar os juros como acho que eles acham, o melhor seria iniciar o corte já para fazer o ajuste antes da eleição. Seria muito ruim ver os candidatos apelarem para propostas populistas para ganhar o pleito e mesmo assim continuar cortando.

Ninguém está aqui falando em cortes significativos na Selic, estamos falando de 250 pontos base de corte ao longo do ano, ou seja, a Selic sai de 15% para 12,5%.

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O Copom deveria cortar a Selic também por um motivo mais prosaico, o balanço das empresas estão implodindo por dentro na conjunção de juros elevados e alta alavancagem. Este início de alívio das condições monetárias não vai se traduzir rapidamente em mais consumo de investimento, mas antes em equalização patrimonial. Logo o corte poderia ocorrer mais tranquilamente.

*André Perfeito é economista da Garantia Capital.

SÃO PAULO WEATHER