Nova alta no imposto de importação sobre carros elétricos pode impactar transição energética no Brasil

Nova alta no imposto de importação sobre carros elétricos pode impactar transição energética no Brasil
Além das tarifas mais altas, o Brasil enfrenta um obstáculo importante para ampliar o uso de veículos eletrificados: a falta de infraestrutura adequada/Agência Brasil
Publicado em 23/07/2025 às 10:00

Da redação de LexLegal

Entrou em vigor neste mês a nova etapa do cronograma de aumento do imposto de importação sobre veículos elétricos e híbridos no Brasil. Desde 1º de julho, os carros 100% elétricos passaram a pagar 25% de imposto, enquanto os híbridos convencionais foram taxados em 30% e os híbridos plug-in, em 28% – um aumento médio de aproximadamente 30%. O plano do governo federal prevê que as alíquotas aumentem gradualmente até atingir 35% para todos os eletrificados importados em julho de 2026.

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Apesar de estar dentro do cronograma oficial, a elevação das tarifas levanta um alerta entre especialistas e consumidores, já que a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) propôs ao governo antecipar para 2025 a aplicação da alíquota máxima. A medida pode tornar o acesso aos eletrificados mais difícil, com elevação de preços ao consumidor, e comprometer o ritmo da transição energética no país.

“O impacto mais relevante desta medida é o risco de desaceleração da adoção de tecnologias limpas no Brasil. Em um momento de mudanças climáticas intensas e com o avanço global da mobilidade elétrica, adotar barreiras de acesso pode retardar a renovação da frota nacional”, avalia Rogério Marin, presidente do Sindicato das Empresas de Comércio Exterior de Santa Catarina (Sinditrade).

Infraestrutura é limitada e incentivos ainda são tímidos

Além das tarifas mais altas, o Brasil enfrenta um obstáculo importante para ampliar o uso de veículos eletrificados: a falta de infraestrutura adequada. Segundo Marin, a rede nacional de eletropostos ainda é limitada e representa um entrave para o crescimento desse mercado. “Sem uma expansão consistente da rede de recarga, a eletrificação seguirá restrita a nichos de mercado, o que compromete o avanço em larga escala. Isso deixa o consumidor inseguro na hora de optar por um carro elétrico”, afirma Marin.

Programas como o IPVA Verde e o Carro Sustentável, criados com o objetivo de reduzir o custo de propriedade de veículos de baixa emissão e incentivar a produção de modelos populares mais sustentáveis, ainda não avançaram de forma significativa no país. Embora tenham potencial para gerar impactos positivos no médio e longo prazo, essas iniciativas ainda estão em estágio inicial e precisam ser fortalecidas para alcançar resultados concretos no mercado.

Enquanto o Brasil discute ações que podem desacelerar a transição energética, o mercado global de veículos eletrificados segue em rápida expansão. Dados da International Energy Agency (IEA) mostram que a frota mundial de elétricos e híbridos plug-in atingiu 60 milhões de unidades em 2024, um salto significativo em relação aos 7,5 milhões registrados em 2019. A Bloomberg NEF projeta que o mercado global de veículos eletrificados deve alcançar US$ 1,084 bilhão em 2029, com a venda de 30 milhões de unidades já em 2027.

No Brasil, embora o mercado ainda esteja em estágio inicial, o crescimento também chama atenção. Entre janeiro e maio de 2025, foram emplacados 22,3 mil veículos eletrificados no país, o que representa 10,4% do total de emplacamentos no período — a maior participação já registrada. Segundo dados da Anfavea, as importações de veículos elétricos e híbridos chegaram a 190 mil unidades nos cinco primeiros meses deste ano, impulsionando mais da metade do crescimento do setor automotivo.

O volume crescente de importações é justamente um dos principais argumentos da Anfavea para pedir ao governo a antecipação da alíquota máxima de 35% já para 2025, como forma de proteger a indústria nacional. Recentemente ocorreu a maior operação de desembarque de eletrificados no país, realizada em junho, quando o navio Shenzhen, da chinesa BYD, descarregou 7.292 veículos no Porto de Itajaí (SC).

“É necessário criar condições reais para que as montadoras invistam em fábricas de eletrificados no Brasil, com incentivos alinhados à produção e metas claras de entrega”, ressalta Marin.

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Sem uma base de produção estruturada, o mercado brasileiro tende a permanecer dependente de importações no curto e médio prazo. Para evitar o distanciamento das tendências globais e viabilizar a transição tecnológica, é necessário equilibrar a proteção à indústria nacional com políticas que incentivem a inovação e ampliem o acesso a novas tecnologias.

SÃO PAULO WEATHER