No STF, Polícia Federal inicia interrogatórios sobre fraudes bilionárias no Banco Master

Da redação de LexLegal
A Polícia Federal (PF) deu início nesta segunda-feira (26) aos interrogatórios de oito indivíduos vinculados às investigações sobre o Banco Master. Por ordem do ministro Dias Toffoli, relator do processo no Supremo Tribunal Federal (STF), os depoimentos ocorrem em regime de sigilo nas dependências da Corte. O primeiro a ser ouvido foi Dario Oswaldo Garcia Júnior, diretor do Banco de Brasília (BRB), instituição estatal sob suspeita de adquirir ativos fraudulentos da instituição privada.
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As oitivas foram concentradas em apenas dois dias por determinação de Toffoli, cronograma que divergiu do planejamento da PF. Além de diretores do BRB, o cronograma inclui executivos de tesouraria e compliance do Master, além de sócios como Angelo Antonio Ribeiro da Silva, que falará por videoconferência. O inquérito apura uma lista extensa de delitos, como organização criminosa, gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, uso de informação privilegiada e manipulação de mercado. A PF investiga como carteiras de crédito sem garantias, estimadas em R$ 12 bilhões, foram negociadas para maquiar a real situação financeira das entidades.
A condução do caso pelo ministro Toffoli tem gerado tensões com os investigadores. Entre os pontos de atrito estão a ordem para que materiais apreendidos fossem entregues diretamente ao STF, sem perícia prévia da PF, e notícias sobre supostas ligações familiares do ministro com fundos de investimento ligados ao Master. Além disso, surgiram questionamentos sobre uma viagem realizada pelo magistrado em aeronave particular de um advogado atuante na causa. O processo subiu ao Supremo após a menção a um deputado federal em documentos apreendidos, embora o envolvimento do parlamentar ainda não tenha sido ratificado.
Crise de insolvência e socorro do FGC
O Banco Master foi alvo de liquidação pelo Banco Central após a constatação de sua insolvência, frustrando uma tentativa de venda da instituição ao próprio BRB. O colapso gerou um impacto massivo no sistema financeiro, obrigando o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) a desembolsar mais de R$ 26 bilhões para ressarcir investidores prejudicados. O proprietário do banco, Daniel Vorcaro, chegou a ser detido na Operação Compliance Zero, mas obteve liberdade por decisão judicial. Atualmente, as investigações foram estendidas por mais 60 dias para aprofundar a análise dos ativos podres.
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O desdobramento das oitivas nesta semana será crucial para definir o grau de implicação de gestores públicos e privados no esquema de maquiagem contábil. A expectativa é que o cruzamento das informações fornecidas pelos diretores de compliance e tesouraria revele como papéis sem lastro eram apresentados como investimentos de alta rentabilidade. O material analisado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) servirá de base para eventuais denúncias criminais contra os envolvidos no rombo bilionário que abalou a confiança no mercado de crédito.