Netanyahu e o risco de uma guerra sem fim

Netanyahu e o risco de uma guerra sem fim
Com apoio histórico dos EUA, Netanyahu intensifica ataques ao Irã em meio à suspensão de negociações nucleares, reacendendo tensões regionais e críticas internacionais/Open IA
Publicado em 15/06/2025 às 10:29

José Renato Ferraz da Silveira*

Líder mais longevo de Israel, tendo ocupado o cargo de primeiro-ministro seis vezes, Benjamin Netanyahu é o principal responsável pelas intermináveis guerras de Israel em que os Estados Unidos são o principal fiador. E fiadores sempre se dão mal ao assumir compromissos de inconsequentes e irresponsáveis causadores (ou devedores principais) da situação em si. Desde 1995, Netanyahu tem seguido uma estratégia sistemática para eliminar grupos como o palestino Hamas e o libanês Hezbollah, utilizando apoio de Washington para seus próprios objetivos geopolíticos. Sem dúvida,

Netanyahu é o líder mais ardiloso e perigoso do Planeta.

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Além de causar um genocídio contra a população palestina (mais de 50 mil morreram em 18 meses) e justificar que é uma guerra contra os terroristas do Hamas. Neste momento, Israel promove a narrativa que os ataques de Israel contra o Irã têm várias metas, mas o grande objetivo é o fim do regime dos aiatolás.

Vale destacar que há muito tempo Israel e Estados Unidos dizem que o Irã está há “meses de construir uma arma nuclear”. Ou melhor, há décadas que o Irã está “há meses de construir uma arma nuclear”.

Para o economista estadunidense Jeffrey Sachs , o premiê israelense é culpado por pressionar os EUA a adotarem políticas anti-iranianas. Segundo o acadêmico, Netanyahu acredita que somente derrotando o Irã grupos como o Hamas e o Hezbollah poderiam ser eliminados. “De onde veio essa guerra? Sabe de uma coisa? É bastante surpreendente. Essa guerra veio de Netanyahu, na verdade”, afirma Sachs.

“Netanyahu tinha, desde 1995, a teoria de que a única maneira de nos livrarmos do Hamas e do Hezbollah era derrubando os governos que os apoiam. Isso inclui o Iraque, a Síria e o Irã. E ele não é nada menos que obsessivo, e ainda está tentando nos fazer lutar contra o Irã até hoje, nesta semana”.

O presidente Donald Trump lança uma ameaça direta contra o Irã e alerta que se o regime de Teerã atacar os EUA sua resposta será em uma escala “jamais vista”.

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A declaração do americano, na madrugada do domingo, representa mais uma escalada no confronto que eclodiu na última sexta-feira entre Israel e Irã”. Pelo segundo dia consecutivo, o governo de Benjamin Netanyahu atacou postos iranianos, desta vez focando nas instalações de energia do Irã, uma fonte crucial de recursos para exportação do país. “A decisão de Israel de atacar esses locais foi considerada por diplomatas de diversos países como um sinal evidente de uma escalada sem precedentes”.

Por fim, uma “estranha coincidência”: Estados Unidos e Irã negociavam um acordo nuclear e uma reunião havia sido marcada para ocorrer neste domingo. Mas a ofensiva militar de Israel na sexta-feira suspendeu todo o diálogo. “De acordo com negociadores, os iranianos sentem que foram alvos de uma emboscada e que foram convencidos a negociar, supondo que isso significaria que não seriam atacados”.

*José Renato Ferraz da Silveira é professor Associado IV do Departamento de Economia e Relações Internacionais da UFSM. Doutor e Mestre em Ciências Sociais pela PUC-SP. Graduação em Relações Internacionais pela PUC-SP. Graduação em História pela ULBRA. Líder do Grupo de Teoria, Arte e Política (GTAP). Editor-chefe da Revista InterAção (Qualis A-2).

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