Na ONU, Lula critica Trump, sanções dos EUA e defende democracia

Da redação de LexLegal
Na abertura da 80ª Assembleia-Geral da ONU, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez um discurso marcado por críticas às sanções unilaterais dos Estados Unidos e recados diretos a Donald Trump. Lula afirmou que o multilateralismo vive “uma nova encruzilhada” e que a autoridade da ONU está “em xeque” diante da consolidação de uma desordem internacional guiada pelo “poder e por intervenções arbitrárias”.
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“O multilateralismo está diante de nova encruzilhada. A autoridade desta organização [ONU] está em xeque. Assistimos à consolidação de uma desordem internacional marcada por seguidas concessões à política do poder, atentados à soberania, sanções arbitrárias. E intervenções unilaterais estão se tornando regra”, declarou.
O presidente ressaltou ainda que há um “paralelo evidente” entre a crise do multilateralismo e o enfraquecimento da democracia. “O autoritarismo se fortalece quando nos omitimos frente a arbitrariedades. Quando a sociedade internacional vacila na defesa da paz, da soberania e do direito, as consequências são trágicas.”
Ao longo de sua fala, Lula voltou a mencionar os ataques às instituições brasileiras e destacou a resistência democrática do país:
“Em todo o mundo, forças antidemocráticas tentam subjugar as instituições e sufocar as liberdades. Cultuam a violência. Exaltam a ignorância. Atuam como milícias físicas e digitais e cerceiam a imprensa. Mesmo sob ataques sem precedentes, o Brasil optou por resistir e defender sua democracia, reconquistada há 40 anos pelo seu povo, depois de duas décadas de governos ditatoriais.”
Recados a Trump e reação às sanções
O discurso ocorreu no dia seguinte ao anúncio de novas sanções dos EUA contra cidadãos brasileiros, em resposta à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Entre as medidas, o governo Trump revogou o visto do advogado-geral da União, Jorge Messias, e aplicou a Lei Magnitsky à Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes.
Com a sanção, todos os bens de Viviane nos EUA ficam bloqueados, e empresas ligadas a ela estão impedidas de operar no país. O mesmo já havia ocorrido com o ministro Alexandre de Moraes em julho, quando ele também foi incluído na lista de restrições financeiras.
Lula não citou Trump nominalmente ao falar sobre tarifas e sanções, mas a crítica foi clara:
“Assistimos à consolidação de uma desordem internacional marcada por seguidas concessões à política do poder. Atentados à soberania, sanções arbitrárias e intervenções unilaterais estão se tornando a regra.”
O presidente também ressaltou que a democracia brasileira é inegociável diante das pressões externas e internas:
“Não há justificativas para as medidas unilaterais e arbitrárias contra as nossas instituições e nossa economia. Agressão contra a independência do poder Judiciário é inaceitável. Essa ingerência em assuntos internos conta com o auxílio de uma extrema-direita subserviente e saudosa das antigas hegemonias.”
Ele ainda afirmou que “falsos patriotas arquitetam e promovem publicamente ações contra o Brasil” e que “não há pacificação com impunidade”. Finalizou enviando um recado aos “candidatos a autocratas”: “Nossa democracia e nossa soberania são inegociáveis”.
O pronunciamento ocorre em um dos momentos mais delicados das relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos nas últimas décadas, após o tarifaço de 50% aplicado por Trump a produtos brasileiros e os embates em torno da condenação de Bolsonaro.
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Ao se posicionar diante de líderes internacionais, Lula buscou reforçar a imagem de defesa da democracia, ao mesmo tempo em que elevou o tom contra o que chamou de “ingerência” externa. A postura coloca o Brasil como protagonista em um debate global sobre soberania, governança multilateral e os limites das sanções unilaterais.