Mulheres têm mais vitórias na Justiça e homens lideram acordos, aponta pesquisa

Da Redação de LexLegal
Mulheres obtêm mais decisões favoráveis na Justiça brasileira, enquanto homens recorrem com maior frequência aos acordos para encerrar disputas judiciais. É o que mostra um levantamento de uma empresa de tecnologia voltada à gestão processual baseado em mais de 29 mil processos encerrados, que identificou diferenças relevantes nos resultados alcançados por cada gênero.
Segundo os dados, 31,8% das ações movidas por mulheres terminaram com decisão favorável. Entre os homens, o índice foi de 28,1%. Já nos acordos, o cenário se inverte: eles estiveram presentes em 17,7% dos processos envolvendo homens, contra 16,8% dos casos ligados ao público feminino.
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Os números surgem em um momento de crescente preocupação com a eficiência do Judiciário brasileiro, que ultrapassa a marca de 80 milhões de processos em tramitação, segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Em um sistema marcado pelo alto volume de demandas, entender quais fatores influenciam o desfecho das ações tornou-se um tema cada vez mais relevante para advogados, magistrados e pesquisadores.
O levantamento indica que a diferença nos resultados está ligada principalmente ao perfil das ações propostas. Mulheres aparecem com maior frequência em áreas como Direito de Família, Sucessões e Previdenciário, ramos em que os direitos discutidos costumam estar mais consolidados pela jurisprudência. Já os homens concentram maior presença em disputas consideradas mais imprevisíveis, o que tende a aumentar o risco de derrota.
Diferença muda conforme a área do Direito
A distância entre os resultados varia de acordo com o tipo de ação analisada.
No Direito Imobiliário, por exemplo, mulheres alcançaram taxa de vitórias na Justiça de 40,6%, enquanto os homens registraram 32,6%. Já nas ações de Direito Administrativo, o cenário foi oposto: eles tiveram taxa de sucesso de 58,5%, contra 33,8% delas.
Os dados também apontam que as mulheres receberam, em média, valores mais elevados tanto nas ações julgadas procedentes quanto nos acordos celebrados.
“Os dados mostram que não existe uma vantagem estrutural de gênero na Justiça. O que existe é uma diferença clara no perfil das ações movidas. Mulheres tendem a ingressar com processos mais bem fundamentados em direitos consolidados, o que naturalmente aumenta a taxa de sucesso. Já os homens aparecem com maior volume em áreas mais voláteis, o que impacta o resultado final”, afirma Vinicius Marques, CEO da EasyJur.
Dados ganham espaço nas estratégias jurídicas
O crescimento do uso de tecnologia e análise estatística tem ampliado a capacidade de identificar padrões dentro do sistema judicial brasileiro.
Escritórios de advocacia e departamentos jurídicos vêm recorrendo cada vez mais a bancos de dados processuais para avaliar riscos, estimar chances de êxito e definir estratégias antes do ajuizamento de ações.
“O Judiciário brasileiro é extremamente complexo e cada decisão carrega um contexto específico. Quando conseguimos transformar esse histórico em inteligência, passamos a tomar decisões mais estratégicas, reduzindo riscos e aumentando previsibilidade nos resultados”, afirma Marques.
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Embora os números não permitam concluir que um gênero seja favorecido pelo Judiciário, eles revelam que o perfil das demandas e a área do Direito escolhida podem influenciar significativamente os resultados. Em um sistema que movimenta milhões de processos por ano, a análise desses padrões ajuda a compreender melhor como as disputas chegam aos tribunais e como terminam.