Mudança de versão sobre tornozeleira complica estratégia jurídica de Bolsonaro

Mudança de versão sobre tornozeleira complica estratégia jurídica de Bolsonaro
Investigadores avaliam que as mudanças sucessivas de explicação fragilizam a linha de defesa do ex-presidente, sobretudo diante dos registros técnicos que embasam o relatório do CIME e do vídeo gravado durante a inspeção do equipamento/Reprodução
Publicado em 25/11/2025 às 7:30

Da redação de LexLegal

A sucessão de relatos divergentes apresentados por Jair Bolsonaro sobre a tentativa de violação da tornozeleira eletrônica tem criado obstáculos para a própria defesa do ex-presidente, segundo investigadores que acompanham o caso. Três versões diferentes foram registradas oficialmente desde a madrugada de 22 de novembro, quando o equipamento emitiu alerta de violação.

Leia também: Indicado ao STF, Jorge Messias envia carta a Alcolumbre e defende “aprofundar o diálogo”

A primeira comunicação recebida pelo Centro Integrado de Monitoração Eletrônica (CIME) indicava que Bolsonaro teria danificado o dispositivo ao bater na escada de sua residência. O alerta chegou ao sistema às 0h07, e a equipe de escolta acionada chegou ao local em menos de dez minutos. De acordo com o relatório enviado pelo CIME, essa foi a explicação inicial apresentada aos policiais penais.

Pouco depois, ainda na madrugada, Bolsonaro admitiu ter usado um ferro de solda para aquecer a área externa do equipamento. Disse que realizou o procedimento por “curiosidade”, informação registrada em vídeo pela diretora do centro de monitoramento, Rita Gaio. Nas imagens, o ex-presidente confirma que começou a mexer no aparelho no fim da tarde anterior.

Na audiência de custódia realizada no domingo (23), o relato mudou novamente. Acompanhado por advogado, Bolsonaro declarou que atravessava um episódio de “certa paranoia” provocada por medicamentos psiquiátricos, citando pregabalina e sertralina. Ele afirmou que sofre com sono fragmentado e alucinações e que, nesse estado, decidiu manipular a tornozeleira utilizando o ferro de soldar.

Veja também: PF investiga suspeita de fraude no Enem 2025 após possível vazamento de questões

Investigadores avaliam que as mudanças sucessivas de explicação fragilizam a linha de defesa do ex-presidente, sobretudo diante dos registros técnicos que embasam o relatório do CIME e do vídeo gravado durante a inspeção do equipamento.

SÃO PAULO WEATHER