MTST ocupa sede do Itaú BBA em SP e cobra taxação de bilionários, bancos e apostas

MTST ocupa sede do Itaú BBA em SP e cobra taxação de bilionários, bancos e apostas
Manifestantes do MTST e da Frente Povo Sem Medo ocupam prédio do Itaú BBA na Faria Lima em ato por justiça fiscal e reforma tributária/ Frente Povo Sem Medo
Publicado em 04/07/2025 às 6:00

Da redação de LexLegal

Com palavras de ordem, faixas e cartazes pedindo justiça fiscal, integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) e da Frente Povo Sem Medo realizaram na manhã desta quarta-feira (3) uma ocupação simbólica no edifício-sede do banco Itaú BBA, localizado na Avenida Faria Lima, zona oeste de São Paulo. O protesto teve como pauta central a defesa da reforma tributária e a cobrança pela taxação de grandes fortunas, especialmente de bilionários, bancos e empresas do setor de apostas online.

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No local do ato, considerado um dos centros financeiros mais simbólicos do país, faixas exibiam frases como “O povo não vai pagar a conta”, “chega de mamata” e “taxação dos super-ricos”. A manifestação foi pacífica e ganhou repercussão nas redes sociais das entidades organizadoras, que classificaram o evento como uma mobilização nacional por justiça tributária.

“A taxação dos bilionários, bancos e bets” foi apresentada como eixo prioritário da mobilização, que deve continuar nos próximos dias. Os organizadores anunciaram outro protesto marcado para o próximo dia 10 de julho, às 18h, na Avenida Paulista, em frente ao Museu de Arte de São Paulo (MASP).

Em publicação nas redes, os participantes divulgaram um manifesto em que defendem a necessidade de uma reforma que enfrente a concentração de renda. “No Brasil, taxar os super ricos é crucial para reduzir a desigualdade. São lucros e dividendos que seguem intocados, enquanto a maioria trabalha muito e paga caro por tudo”, afirmaram os movimentos sociais.

O local da ocupação não foi escolhido por acaso. Segundo os manifestantes, a sede do Itaú BBA simboliza o acúmulo de riqueza no setor financeiro. O edifício, que ocupa um quarteirão inteiro na Avenida Faria Lima, foi adquirido pelo banco no ano passado por cerca de R$ 1,4 bilhão. O Itaú BBA é o braço de investimentos do conglomerado Itaú Unibanco e uma das principais instituições do mercado financeiro da América Latina.

Até a publicação desta reportagem, o banco Itaú não havia se pronunciado sobre o protesto realizado na porta de sua unidade.

A mobilização ocorre em um momento estratégico para o debate tributário no país. A regulamentação da reforma tributária avança no Congresso Nacional e diversos setores da sociedade civil organizada buscam pressionar o Legislativo por medidas que enfrentem privilégios fiscais e reduzam a desigualdade social. Entre os temas em debate estão a taxação de lucros e dividendos, o combate a regimes especiais de elisão fiscal e a tributação sobre grandes patrimônios.

A Frente Povo Sem Medo, que reúne dezenas de movimentos sociais, sindicatos e organizações da sociedade civil, defende que os mais ricos contribuam proporcionalmente com os custos do Estado. Já o MTST, historicamente ligado à luta por moradia, tem ampliado sua agenda de reivindicações para incluir temas econômicos e estruturais, como a reforma tributária.

A ocupação do Itaú BBA representa um capítulo a mais na estratégia de pressão popular sobre o sistema tributário brasileiro, considerado um dos mais regressivos do mundo. De acordo com estudos do Instituto de Justiça Fiscal, os 10% mais pobres da população comprometem mais de 30% de sua renda com tributos, enquanto os 10% mais ricos destinam menos de 20%.

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Nas palavras dos organizadores, a ocupação teve como objetivo “denunciar os verdadeiros responsáveis pela crise fiscal e pela desigualdade” e marcar posição num momento decisivo para o futuro do sistema tributário nacional.

SÃO PAULO WEATHER