MPF pede suspensão de concursos da Marinha por irregularidades na aplicação da Lei de Cotas

MPF pede suspensão de concursos da Marinha por irregularidades na aplicação da Lei de Cotas
Concursos da Marinha sob questionamento: MPF aponta falhas na aplicação da Lei de Cotas e pede suspensão dos certames/José Cruz/Agência Brasil
Publicado em 10/09/2025 às 7:00

Da redação de LexLegal

O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou uma ação civil pública pedindo a suspensão imediata de concursos em andamento da Marinha, sob a alegação de descumprimento da Lei de Cotas. O órgão afirma que os editais fracionaram as vagas por especialidades, reduzindo artificialmente a base de cálculo para a reserva de cotas raciais e para pessoas com deficiência.

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De acordo com o MPF, a prática resulta em uma oferta de vagas menor do que a prevista em lei. Um dos exemplos citados é o concurso para o quadro técnico do corpo auxiliar da Marinha, lançado em fevereiro, com 62 vagas. Pelo critério legal em vigor à época, ao menos 20% dessas vagas deveriam ser destinadas a candidatos pretos ou pardos e 5% a pessoas com deficiência. No entanto, o edital reservou apenas 11 vagas para cotas raciais e nenhuma para pessoas com deficiência.

A irregularidade, segundo o MPF, ficou ainda mais evidente em áreas com apenas uma vaga, como Arqueologia, Estatística, História, Oceanografia e Serviço Social, nas quais não foi disponibilizada cota alguma. Na área de informática, o problema se ampliou: as vagas foram divididas em quatro subespecialidades — “banco de dados”, “desenvolvimento de sistemas”, “infraestrutura de TI” e “desenvolvimento da informação” —, cada uma com número reduzido de postos, diminuindo o percentual de reserva.

“Não bastasse ter apartado irregularmente do total os postos de informática para a definição das cotas, a Marinha limitou ainda mais o alcance da política afirmativa ao tomar como base de cálculo o reduzido número de vagas destinadas a cada uma dessas subespecialidades”, destacou o MPF em nota.

O Ministério Público informou que buscou acordo para corrigir os editais, mas não obteve resposta positiva. A Marinha alegou que alterar os cálculos poderia comprometer o preenchimento das vagas por candidatos aptos às especialidades. Até o fechamento da reportagem, a força não havia se manifestado oficialmente.

Segundo levantamento, atualmente existem 16 concursos abertos pela Marinha em 2025. Caso a ação seja acolhida pela Justiça, os certames podem ser suspensos até que os critérios de cotas sejam regularizados.

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Desde junho, a Lei 15.142/2025 ampliou a política de cotas nos concursos públicos federais. Agora, 30% das vagas devem ser destinadas a candidatos pretos, pardos, indígenas ou quilombolas, e 5% a pessoas com deficiência. Para o MPF, a Marinha descumpriu esses parâmetros ao adotar uma metodologia de fracionamento das vagas que prejudica o alcance da política afirmativa.

SÃO PAULO WEATHER