MPF pede investigação sobre desaparecimento do acervo de Chico Mendes

Da redação de LexLegal
O Ministério Público Federal (MPF) solicitou que o Ministério Público do Acre (MPAC) investigue o desaparecimento do acervo de Chico Mendes, líder seringueiro e ambientalista assassinado em 1988. Os documentos e objetos que contam parte da história da luta ambiental e social na Amazônia estão desaparecidos desde 2019, quando a Biblioteca da Floresta, em Rio Branco, passou por uma reforma. Em 2022, um incêndio atingiu parte do prédio e agravou as incertezas sobre a preservação do material.
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Segundo o MPF, o paradeiro desconhecido desse acervo, considerado de valor histórico e cultural inestimável, representa uma “iminente lacuna na memória coletiva” e gera “dano e prejuízo concreto à coletividade”. A representação foi assinada pelo procurador regional dos Direitos do Cidadão, Lucas Costa Almeida Dias, que destacou ser competência do MP estadual aprofundar as apurações.
Importância histórica e cultural
Chico Mendes, nascido em Xapuri (AC), foi líder sindical dos seringueiros, categoria cuja sobrevivência dependia da preservação da floresta nativa e das seringueiras de pé. Sua militância, iniciada na década de 1970, chamou atenção mundial ao relacionar justiça social e proteção ambiental, tornando-se símbolo da defesa da Amazônia e dos direitos dos povos da floresta.
Pouco antes de ser assassinado, em dezembro de 1988, Mendes recebeu o prêmio Global 500 da ONU, reconhecimento internacional por sua luta. Sua morte brutal, ordenada por fazendeiros contrários à preservação ambiental, chocou o Brasil e o mundo, transformando-o em mártir da causa ambientalista.
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O acervo desaparecido reúne registros pessoais, documentos, cartas, objetos e materiais que narram parte fundamental da história ambiental do Brasil. Para especialistas, a perda desse patrimônio não atinge apenas o Acre, mas toda a sociedade brasileira e a memória global sobre a luta socioambiental.