MPF cobra ação urgente contra garimpo ilegal no Rio Tonantins

Da redação de LexLegal
O Ministério Público Federal recomendou a órgãos federais e estaduais que reforcem com urgência a fiscalização no Rio Tonantins, no Amazonas, após identificar risco ambiental e ameaça direta à saúde de comunidades indígenas e ribeirinhas. O pedido foi enviado a instituições como Ibama, ICMBio, Polícia Federal, Polícia Militar, Marinha e ao órgão ambiental do estado.
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A ofensiva do MPF ocorre depois de uma missão realizada no fim de 2025, que encontrou um cenário de avanço do garimpo ilegal e baixa reação do poder público. Segundo o órgão, a presença crescente de invasores na região já afeta a água consumida por milhares de pessoas e exige uma resposta coordenada, com atuação conjunta de diferentes forças de fiscalização e segurança.
O centro do problema está no uso de dragas e balsas, estruturas flutuantes empregadas para retirar minério do leito do rio. Esse tipo de operação revolve sedimentos, altera a qualidade da água e amplia o risco de contaminação. De acordo com o relatório, o Rio Tonantins, que abastece mais de 3 mil pessoas, deixou de ter a aparência limpa de antes e passou a apresentar coloração turva, sinal visto pelos moradores como indício de degradação acelerada.
A preocupação cresce ainda mais por causa do mercúrio, substância frequentemente usada na extração de ouro para separar o metal de outros materiais. O problema é que esse produto é altamente tóxico, pode permanecer no ambiente por longos períodos e entrar na cadeia alimentar por meio da água e dos peixes consumidos pelas comunidades. Em termos simples, o dano não para no ponto do garimpo. Ele pode se espalhar e afetar a saúde de quem vive da pesca, bebe da fonte local e depende do rio para sobreviver.
O documento do MPF aponta que a degradação avança enquanto faltam ações coordenadas para frear a atividade ilegal. Para a procuradoria, o combate ao garimpo clandestino não pode ser tratado como obrigação isolada de um único órgão. A avaliação é que a repressão envolve fiscalização ambiental, investigação criminal, patrulhamento territorial e presença permanente do Estado.
A situação fica mais delicada porque, segundo o próprio Ministério Público, a Polícia Federal informou que ainda não abriu investigação sobre o caso. Esse dado pesa no recurso do órgão, que vê omissão institucional em uma área já marcada por vulnerabilidade social, isolamento geográfico e dependência direta dos recursos naturais.
Por isso, o MPF passou a cobrar um plano emergencial de ação conjunta. Entre as medidas recomendadas estão a destruição de equipamentos usados no garimpo ilegal, a prisão de responsáveis e o reforço imediato da fiscalização. A lógica é impedir que a atividade continue operando enquanto a discussão burocrática se arrasta entre diferentes repartições.
O prazo dado aos órgãos é de 30 dias. Se não houver resposta ou se as providências forem consideradas insuficientes, o caso pode avançar para medidas judiciais. Na prática, o Ministério Público sinaliza que pretende judicializar a omissão do Estado se a recomendação não sair do papel.
A pressão sobre o Rio Tonantins também revela um problema maior da Amazônia. O garimpo ilegal deixou de ser visto só como crime ambiental e passou a ser tratado como ameaça sanitária, social e territorial. Quando a água que abastece comunidades começa a mudar de cor e o risco de mercúrio entra em cena, o conflito deixa de ser apenas sobre mineração clandestina e passa a atingir o cotidiano e a sobrevivência de populações inteiras.
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O caso agora testa a disposição dos órgãos públicos de agir de forma articulada em uma área sensível da Amazônia. O que está em jogo no Rio Tonantins já não é só a repressão a invasores, mas a capacidade do Estado de proteger água, território e saúde de comunidades indígenas e ribeirinhas diante do avanço do garimpo ilegal.