MP do Rio identifica mortes “atípicas” em operação que deixou 121 mortos

MP do Rio identifica mortes “atípicas” em operação que deixou 121 mortos
Promotores do MPRJ acompanham investigações sobre as 121 mortes ocorridas durante a Operação Contenção, no Rio de Janeiro/Paulo Pinto/Agência Brasil
Publicado em 13/11/2025 às 7:30

Da redação de LexLegal

Relatório parcial enviado ao ministro Alexandre de Moraes aponta indícios incomuns em dois dos 121 corpos da Operação Contenção, realizada no fim de outubro no Rio de Janeiro. O documento foi anexado à ADPF das Favelas, que trata da letalidade policial no estado.

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O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) enviou nesta quarta-feira (12) ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), um relatório parcial sobre a Operação Contenção, ação policial realizada em 28 de outubro que resultou na morte de 121 pessoas supostamente ligadas à facção Comando Vermelho (CV).

O documento destaca duas mortes consideradas atípicas em comparação com o restante das ocorrências registradas na operação. Após o acompanhamento das perícias realizadas nos 121 corpos, os promotores identificaram “lesões atípicas” em dois casos específicos: um dos cadáveres apresentava marcas de tiros à curta distância, enquanto o outro estava decapitado por instrumento cortante.

De acordo com o Ministério Público, os demais corpos exibiam lesões internas e externas provocadas por disparos de fuzil, concentradas principalmente nas regiões do tórax e abdômen, o que indicaria confronto armado. O relatório informa ainda que todos os mortos eram homens, entre 20 e 30 anos de idade.

Os promotores também apontaram que alguns dos mortos vestiam roupas camufladas, botas operacionais e coletes com carregadores de munição, além de portarem munições, celulares e porções de erva prensada. Segundo o relatório, “a maioria dos corpos exibia múltiplas tatuagens, algumas sabidamente referentes a facções criminosas e ao extermínio de policiais”.

O Ministério Público informou que, na próxima fase da apuração, fará uma análise detalhada das imagens captadas pelas câmeras corporais dos agentes envolvidos na operação, além da reconstrução do local do confronto. O objetivo é verificar a dinâmica dos fatos e identificar eventuais excessos ou irregularidades.

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O relatório foi anexado ao processo da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 635, conhecida como ADPF das Favelas, que tramita no Supremo e busca reduzir a letalidade das ações policiais em comunidades do Rio de Janeiro. Alexandre de Moraes atua como relator temporário da ação e já determinou uma série de medidas de controle, como o uso de câmeras corporais e o envio de relatórios detalhados sobre operações letais.

SÃO PAULO WEATHER