MP do Rio firma acordo para indenizar vítimas de transplante com órgãos contaminados por HIV

MP do Rio firma acordo para indenizar vítimas de transplante com órgãos contaminados por HIV
Laboratório que emitiu laudos falsos sobre doadores foi interditado após seis pacientes serem contaminados com HIV em transplantes no RJ/Fernando Frazão/Agência Brasil
Publicado em 10/07/2025 às 7:00

Da redação de LexLegal

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) firmou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o objetivo de indenizar seis pacientes que foram contaminados com o vírus HIV após receberem órgãos infectados durante procedimentos de transplante. O caso, que ganhou repercussão nacional, ocorreu em outubro de 2024. O acordo foi assinado pelo Estado do Rio de Janeiro, pela Fundação Saúde e pelo Laboratório Patologia Clínica Dr. Saleme Ltda (PCS LAB), empresa responsável pelos exames sorológicos que deveriam detectar o vírus nos órgãos doados.

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A medida busca garantir reparação rápida e evitar a judicialização do caso. “O TAC visa evitar a judicialização do caso, assegurar a reparação imediata às vítimas e garantir atendimento contínuo, humanizado e resolutivo, com base nos princípios da dignidade da pessoa humana e da prevenção de danos”, afirmou o MPRJ em nota oficial.

Além do pagamento das indenizações, o Estado e a Secretaria de Saúde do Rio de Janeiro se comprometeram a manter um programa permanente de acolhimento às vítimas e suas famílias, com suporte médico, psicológico e social. Também estão previstos fornecimento contínuo de medicamentos, transporte até unidades de saúde, atendimento especializado e canais exclusivos para emergências.

As investigações foram iniciadas pelo próprio Ministério Público em outubro do ano passado e culminaram na denúncia de diversos crimes, incluindo lesão corporal gravíssima, associação criminosa, falsificação de documento particular e falsidade ideológica.

Relembre o caso
O escândalo veio à tona quando a Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro confirmou que seis pacientes haviam contraído HIV após receberem órgãos contaminados durante transplantes de rins, fígado, coração e córnea. O Laboratório PCS Saleme, contratado pela Fundação Saúde em dezembro de 2023 para realizar exames de sorologia, teria emitido laudos fraudulentos que não detectaram a presença do vírus em órgãos de dois doadores.

Diante da gravidade da falha, a Vigilância Sanitária do Estado interditou o laboratório e o contrato com o governo foi imediatamente rescindido. O episódio levou à renúncia da direção da Fundação Saúde, responsável pelo contrato com o laboratório.

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O caso reacendeu o debate sobre a responsabilidade civil e criminal em procedimentos médicos de alta complexidade, como os transplantes, e reforçou a necessidade de maior rigor na fiscalização dos serviços laboratoriais contratados pelo poder público.

SÃO PAULO WEATHER