Movimentação nas fronteiras do Brasil bate recorde e supera 36 milhões em 2025

Da Redação de LexLegal
O Brasil registrou em 2025 o maior fluxo de pessoas pelas fronteiras desde o início da série histórica. Mais de 36,4 milhões de entradas e saídas do território nacional foram contabilizadas ao longo do ano, alta de 15,6% em relação a 2024, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (26) pelo Observatório Nacional dos Direitos Humanos (ObservaDH), em referência ao Dia Nacional do Imigrante.
Os números incluem brasileiros, estrangeiros residentes, migrantes, turistas e pessoas em trânsito internacional. O levantamento mostra que o crescimento foi impulsionado principalmente pelo aumento das viagens de brasileiros e do turismo, indicando que a circulação nas fronteiras brasileiras está ligada muito mais à mobilidade internacional do que aos processos de imigração permanente.
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Do total de movimentações registradas em 2025, cerca de 17,2 milhões envolveram cidadãos brasileiros. Os turistas responderam por aproximadamente 14,7 milhões de registros. As demais categorias aparecem em proporções menores, como passageiros em trânsito, residentes temporários e estrangeiros com autorização de residência no país.
Segundo o ObservaDH, esse cenário demonstra que o intenso movimento nas fronteiras brasileiras está relacionado principalmente a viagens temporárias, turismo, negócios e deslocamentos internacionais de curta duração.
O levantamento reúne informações do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra), do Sistema de Registro Nacional Migratório (SisMigra), do Sistema de Tráfego Internacional da Polícia Federal, das solicitações de refúgio e de registros administrativos do programa Aqui é Brasil, coordenado pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.
Além da movimentação nas fronteiras, o ObservaDH apresentou novos painéis sobre migração, refúgio, apatridia e repatriação, ampliando a base de dados utilizada para subsidiar políticas públicas voltadas à mobilidade humana.
Os indicadores revelam que o fluxo migratório voltou a crescer após a pandemia de Covid-19. Em 2020, as restrições sanitárias reduziram drasticamente a circulação internacional. A recuperação começou em 2021 e atingiu o maior nível em 2023, quando 190,5 mil migrantes ingressaram oficialmente no país. Em 2025, esse número caiu para 157,3 mil pessoas, mas permaneceu acima dos níveis registrados antes da pandemia.
Os registros migratórios, que representam a regularização da permanência de estrangeiros no Brasil, também seguem em patamar elevado. Depois do recorde alcançado em 2023, quando mais de 202 mil pessoas regularizaram sua situação migratória, o país registrou quase 200 mil regularizações em 2025.
Outro indicador acompanhado pelo ObservaDH diz respeito aos pedidos de refúgio. O Brasil recebeu aproximadamente 75,6 mil novas solicitações de reconhecimento da condição de refugiado no último ano. Atualmente, o país possui 165.774 pessoas reconhecidas oficialmente como refugiadas. Desde 2010, mais de 551 mil solicitações já foram apresentadas às autoridades brasileiras.
O crescimento desses pedidos acompanha crises humanitárias internacionais registradas na última década. Os maiores aumentos ocorreram entre 2018 e 2019, impulsionados principalmente por fluxos migratórios provenientes de países como Venezuela, Haiti e Síria.
Para a coordenadora-geral de Promoção dos Direitos das Pessoas Migrantes, Refugiadas e Apátridas do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, a diversidade crescente dos fluxos migratórios exige políticas públicas permanentes e baseadas em dados.
“Esse cenário exige informações qualificadas que permitam compreender as transformações da mobilidade humana no país. Mais do que resposta emergencial, a política migratória precisa ser tratada como política permanente de Estado, o que demanda monitoramento contínuo e capacidade de adaptação às diferentes dinâmicas de migração e refúgio”, afirmou Fernanda da Rosa Becker, coordenadora-geral de Promoção dos Direitos das Pessoas Migrantes, Refugiadas e Apátridas do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.
O Relatório Anual de Política Migratória no Brasil aponta que o país abriga atualmente mais de 2 milhões de migrantes, refugiados e solicitantes de refúgio. Esse cenário amplia os desafios para áreas como documentação, educação, saúde, mercado de trabalho e integração social, ao mesmo tempo em que reforça a posição do Brasil como destino relevante para pessoas que buscam proteção internacional ou melhores oportunidades econômicas.
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Os novos painéis divulgados pelo ObservaDH devem servir de base para o planejamento das políticas migratórias brasileiras e para o acompanhamento da evolução dos fluxos internacionais nos próximos anos, permitindo que governos acompanhem mudanças no perfil dos migrantes e adaptem suas ações de acolhimento e regularização.