Mortes causadas por PMs aumentaram 35% em todo o estado de São Paulo

Da redação de LexLegal
A letalidade da Polícia Militar em serviço no estado de São Paulo registrou alta de 35,5% nos dois primeiros meses deste ano. Dados do Ministério Público (MPSP), compilados pela Agência Brasil nesta quarta-feira (1º), mostram que o total de vítimas subiu de 76 para 103 na comparação com o mesmo período de 2025. As estatísticas são enviadas pelas próprias corporações ao Grupo de Atuação Especial da Segurança Pública (Gaesp).
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Curva de letalidade e gestão estadual
O indicador rompe a trajetória de queda observada entre 2019 e 2022, quando os óbitos recuaram de 720 para 262 ocorrências. Desde 2023, sob o governo Tarcísio de Freitas, os índices apresentam crescimento constante. No primeiro ano da gestão, as mortes chegaram a 357. Em 2024, o salto foi de 83%, atingindo 653 registros, seguido por 703 mortos no ano passado.
“Uma polícia violenta e que mata em vez de prevenir crimes, investigar e prender criminosos, gera insegurança pública e riscos para todos os cidadãos”, afirma Ariel de Castro Alves, presidente de honra do Grupo Tortura Nunca Mais e membro da OAB-SP.
Críticas ao controle da atividade policial
Para o advogado, os números consolidam um cenário de retrocesso nos direitos humanos e falha no controle das tropas. “Esse levantamento reforça a compreensão de que tivemos na gestão do atual do governo de São Paulo uma escalada da violência policial, frustrando avanços no controle e redução da violência e letalidade das ações policiais nos governos anteriores”, diz Castro Alves. Ele aponta a resistência ao uso de câmeras e o enfraquecimento de órgãos como a Ouvidoria como causas diretas do aumento.
“Durante toda a gestão, o governador e o [então] secretário Guilherme Derrite combateram o uso de câmeras corporais, se omitiram ou desdenharam diante das denúncias e casos de violência policial e atacaram órgãos de controle, como a Ouvidoria da Polícia. O resultado só podia ser essa escalada de violência policial no estado.”
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O especialista reforça que o perfil das vítimas é composto majoritariamente por jovens negros e pobres da periferia. “A mesma polícia que atua com violência contra pobres se corrompe perante quem tem dinheiro, e acaba gerando verdadeiras quadrilhas, milícias e grupos de extermínio.”