Mortes causadas por PMs aumentaram 35% em todo o estado de São Paulo

Mortes causadas por PMs aumentaram 35% em todo o estado de São Paulo
Mortes pela PM em SP crescem 35% no primeiro bimestre de 2026/Paulo Pinto/Agência Brasil
Publicado em 01/04/2026 às 13:16

Da redação de LexLegal

A letalidade da Polícia Militar em serviço no estado de São Paulo registrou alta de 35,5% nos dois primeiros meses deste ano. Dados do Ministério Público (MPSP), compilados pela Agência Brasil nesta quarta-feira (1º), mostram que o total de vítimas subiu de 76 para 103 na comparação com o mesmo período de 2025. As estatísticas são enviadas pelas próprias corporações ao Grupo de Atuação Especial da Segurança Pública (Gaesp).

Leia também: Ativista brasileiro pró-palestina é barrado em aeroporto na Argentina

Curva de letalidade e gestão estadual

O indicador rompe a trajetória de queda observada entre 2019 e 2022, quando os óbitos recuaram de 720 para 262 ocorrências. Desde 2023, sob o governo Tarcísio de Freitas, os índices apresentam crescimento constante. No primeiro ano da gestão, as mortes chegaram a 357. Em 2024, o salto foi de 83%, atingindo 653 registros, seguido por 703 mortos no ano passado.

“Uma polícia violenta e que mata em vez de prevenir crimes, investigar e prender criminosos, gera insegurança pública e riscos para todos os cidadãos”, afirma Ariel de Castro Alves, presidente de honra do Grupo Tortura Nunca Mais e membro da OAB-SP.

Críticas ao controle da atividade policial

Para o advogado, os números consolidam um cenário de retrocesso nos direitos humanos e falha no controle das tropas. “Esse levantamento reforça a compreensão de que tivemos na gestão do atual do governo de São Paulo uma escalada da violência policial, frustrando avanços no controle e redução da violência e letalidade das ações policiais nos governos anteriores”, diz Castro Alves. Ele aponta a resistência ao uso de câmeras e o enfraquecimento de órgãos como a Ouvidoria como causas diretas do aumento.

“Durante toda a gestão, o governador e o [então] secretário Guilherme Derrite combateram o uso de câmeras corporais, se omitiram ou desdenharam diante das denúncias e casos de violência policial e atacaram órgãos de controle, como a Ouvidoria da Polícia. O resultado só podia ser essa escalada de violência policial no estado.”

Veja também: Comitê Gestor da Internet lança cartilha contra golpes digitais e alerta sobre deepfakes

O especialista reforça que o perfil das vítimas é composto majoritariamente por jovens negros e pobres da periferia. “A mesma polícia que atua com violência contra pobres se corrompe perante quem tem dinheiro, e acaba gerando verdadeiras quadrilhas, milícias e grupos de extermínio.”

SÃO PAULO WEATHER