Moraes mantém acareação entre Braga Netto e Mauro Cid

Moraes mantém acareação entre Braga Netto e Mauro Cid
General é acusado de integrar trama golpista e repassar dinheiro a militares aliados/Agência Brasil
Publicado em 18/06/2025 às 6:00

Da redação de LexLegal

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), manteve marcada para a próxima terça-feira (24) a acareação entre o general Braga Netto e o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro. Ambos são réus na ação penal que investiga a suposta tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.

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A defesa de Braga Netto havia solicitado o adiamento da audiência para sexta-feira (27), alegando que o principal advogado do general, José Luis de Oliveira Lima, estará em viagem internacional. No entanto, Moraes indeferiu o pedido com base no fato de que o general é representado por uma banca de seis advogados, sendo possível que outro integrante acompanhe a acareação.

“Verifico, portanto, que o réu Braga Netto está devidamente assistido por seis advogados, sendo que os demais patronos, inclusive, participaram de várias audiências em que foram realizadas oitivas de testemunhas de acusação e defesa”, escreveu Moraes na decisão.

A acareação foi determinada devido a divergências entre os depoimentos prestados por Cid e Braga Netto. Um dos principais pontos em conflito é a existência do chamado plano “Punhal Verde e Amarelo”, supostamente discutido por militares próximos ao governo para executar autoridades e facilitar uma ruptura institucional. Outro ponto controverso é a entrega de dinheiro em espécie, que segundo Cid, foi feita por Braga Netto usando uma sacola de vinho para repassar valores a membros do grupo conhecido como “kids pretos” — militares da elite do Exército.

Durante seu interrogatório na semana passada, Braga Netto negou qualquer envolvimento com o plano e disse não ter feito qualquer repasse de valores ao tenente-coronel. O general está preso preventivamente desde dezembro de 2024, acusado de obstrução à Justiça. Segundo as investigações, ele teria tentado acessar ilegalmente trechos da delação premiada de Mauro Cid.

A expectativa com a acareação é esclarecer se há contradições intencionais nos depoimentos ou apenas divergências de memória. A estratégia faz parte da linha de apuração adotada por Moraes, que conduz os processos ligados aos atos golpistas sob responsabilidade do STF.

A trama envolvendo militares, civis e membros do antigo governo Bolsonaro ganhou fôlego após os depoimentos de Mauro Cid, que firmou acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR). Ele relatou articulações com objetivo de impedir a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva, o que levou à abertura de diversas ações penais no Supremo.

Além de Braga Netto e Cid, há outros militares e civis respondendo no mesmo processo. A PGR sustenta que o grupo tentou invalidar o resultado das eleições e promover ações armadas contra o Estado Democrático de Direito. O plano envolveria o uso de tropas militares para ocupação de prédios públicos e prisão de autoridades.

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A acareação entre os dois acusados pode ser decisiva para a construção do juízo de valor do STF sobre o papel de Braga Netto na suposta articulação. Como ex-ministro da Defesa e ex-candidato a vice-presidente na chapa de Bolsonaro, ele ocupa posição estratégica no inquérito.

SÃO PAULO WEATHER