Moraes manda PGR se manifestar sobre incluir Jair e Flávio Bolsonaro em inquérito

Moraes manda PGR se manifestar sobre incluir Jair e Flávio Bolsonaro em inquérito
Investigação apura se dinheiro de filme patrocinado por banqueiro financiou atos contra o STF nos EUA/Rosinei Coutinho/STF
Publicado em 27/05/2026 às 11:00

Da Redação de LexLegal

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (26) que a Procuradoria-Geral da República (PGR) emita um parecer sobre o pedido de inclusão do ex-presidente Jair Bolsonaro e do senador Flávio Bolsonaro no inquérito judicial que corre na corte.

A investigação principal foca nas atividades internacionais do deputado federal Eduardo Bolsonaro em território norte-americano. Moraes estipulou um prazo de cinco dias corridos para que o órgão de acusação apresente sua manifestação jurídica.

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Eduardo Bolsonaro já figura como investigado no tribunal sob a suspeita de prática de coação no curso do processo, crime que consiste no uso de violência ou grave ameaça contra autoridades para obter vantagem em situação judicial, e por tentativa de interferência direta no julgamento penal de seu pai, réu por tentativa de golpe de Estado.

A petição para estender o rol de investigados aos familiares foi protocolada pelo deputado federal Lindbergh Farias após revelações de supostos repasses financeiros corporativos.

Suspeita de desvio para lobby externo e áudios com banqueiro preso

O congressista autor do pedido requer a abertura de uma linha de apuração específica para examinar a hipótese de que verbas destinadas à produção de um documentário biográfico sobre Jair Bolsonaro tenham sido desviadas para bancar uma estrutura de lobby internacional.

Esse grupo atuaria em Washington para pressionar por sanções econômicas, restrições de vistos diplomáticos e imposição de tarifas contra o Brasil, além de exercer coação contra magistrados federais. A representação aponta indícios de lavagem de dinheiro, caixa dois, organização criminosa e atentado à soberania nacional.

A ofensiva jurídica baseia-se em reportagem veiculada pelo portal The Intercept Brasil, que expôs mensagens de áudio gravadas por Flávio Bolsonaro e enviadas ao banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Nas gravações, o senador solicita aportes financeiros para custear a cinebiografia paterna.

O veículo jornalístico apontou que o executivo concordou em direcionar R$ 134 milhões ao projeto cinematográfico, dos quais R$ 61 milhões teriam sido efetivamente movimentados. Eduardo Bolsonaro seria o gestor desses ativos financeiros no exterior.

Diante do vazamento dos arquivos de áudio, Flávio Bolsonaro alterou sua versão inicial e passou a admitir a interlocução comercial com Vorcaro, alegando que os contatos ocorreram a partir de 2024 e antes de a Polícia Federal mapear as fraudes do operador financeiro.

O senador confirmou ainda que manteve reuniões com o empresário mesmo após a primeira prisão do banqueiro, ocorrida em novembro de 2025 no escopo da Operação Compliance Zero, que desarticulou fraudes contra o sistema financeiro nacional.

Encontro com Donald Trump em Washington antecede decisão judicial

Na mesma data da decisão proferida pelo STF, os irmãos Flávio e Eduardo Bolsonaro, acompanhados pelo blogueiro Paulo Figueiredo, realizaram uma agenda política com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na capital americana.

Os parlamentares divulgaram o registro fotográfico da reunião em suas plataformas digitais, mas optaram por manter o teor das conversas institucionais e o cronograma de tópicos debatidos sob absoluto sigilo político.

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O parecer que será elaborado pela PGR servirá para subsidiar Moraes na decisão de fatiar a apuração ou unificar os indiciamentos na corte. Caso os procuradores federais encontrem elementos de conexão probatória, o ex-presidente e o senador passarão formalmente à condição de investigados no Supremo, enfrentando a quebra de sigilos bancários e telemáticos.

SÃO PAULO WEATHER