Moraes dá cinco dias para defesa de Collor explicar desligamento da tornozeleira

Moraes dá cinco dias para defesa de Collor explicar desligamento da tornozeleira
Ministro Alexandre de Moraes cobra explicações da defesa de Collor e da Secretaria de Ressocialização de Alagoas sobre falha no monitoramento da tornozeleira eletrônica/Marcelo Camargo/Agência Brasil
Publicado em 18/10/2025 às 15:58

Da redação de LexLegal

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a defesa do ex-presidente Fernando Collor de Mello apresente explicações, no prazo de cinco dias (a partir de sexta-feira, 17), sobre o desligamento de sua tornozeleira eletrônica. Desde abril deste ano, Collor cumpre prisão domiciliar em Maceió, após decisão do STF que negou recursos apresentados por sua defesa.

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A medida foi tomada após o gabinete do ministro receber um alerta da Secretaria de Estado de Ressocialização e Inclusão Social de Alagoas, responsável pelo monitoramento eletrônico. O relatório do órgão indicou que a tornozeleira utilizada por Collor ficou sem bateria nos dias 2 e 3 de maio, o que configuraria descumprimento de medida cautelar.

Na decisão, Moraes ordenou que os advogados do ex-presidente prestem esclarecimentos formais:

“Intimem-se os advogados regularmente constituídos por Fernando Affonso Collor de Mello para prestarem esclarecimentos, no prazo máximo de cinco dias, sobre o descumprimento da medida cautelar imposta, sob pena de decretação da prisão”, escreveu o ministro.

O magistrado também determinou que a Secretaria de Ressocialização de Alagoas apresente, em até 48 horas, as razões do atraso na comunicação do ocorrido, já que o fato foi reportado cinco meses depois.

Condenação e prisão domiciliar

Em 2023, o Supremo Tribunal Federal condenou Collor por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no âmbito de um esquema de pagamento de propinas envolvendo a BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras. De acordo com a sentença, o então senador e dirigente do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) teria recebido R$ 20 milhões em vantagens indevidas entre 2010 e 2014, em troca de indicações políticas.

Após o trânsito em julgado da condenação, a Corte determinou o início do cumprimento da pena. Em abril de 2024, com o esgotamento dos recursos, foi expedido mandado de prisão contra o ex-presidente. A defesa, entretanto, apresentou pedido de prisão domiciliar, alegando idade avançada (75 anos) e condições médicas que exigem acompanhamento contínuo.

Os advogados informaram que Collor sofre de doença de Parkinson, apneia do sono grave e transtorno afetivo bipolar, circunstâncias que, segundo a defesa, justificariam o regime diferenciado de cumprimento da pena. Moraes deferiu parcialmente o pedido, impondo o uso obrigatório da tornozeleira eletrônica como condição para manutenção do benefício.

Falha no monitoramento e cobrança de explicações

O episódio envolvendo o desligamento do equipamento reacende o debate sobre a eficácia do sistema de monitoramento eletrônico e a responsabilidade do poder público na fiscalização de presos em regime domiciliar.

A Secretaria de Ressocialização de Alagoas informou que está apurando internamente os motivos da falha e garantiu que as medidas corretivas serão tomadas. O STF, por sua vez, busca compreender se houve negligência administrativaou tentativa de burlar as restrições impostas.

Para Moraes, a omissão do órgão estadual em comunicar o ocorrido de forma imediata “contraria o princípio da cooperação institucional” e prejudica o acompanhamento das condições impostas pela Corte.

Histórico de Collor no STF

A condenação de Collor foi resultado de uma longa investigação conduzida no âmbito da Operação Lava Jato, que revelou um esquema de corrupção sistêmica em empresas estatais. O ex-presidente foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por supostamente ter utilizado influência política para obter vantagens indevidas em contratos da BR Distribuidora.

Em seu voto, o ministro Alexandre de Moraes destacou que as provas apresentadas pela acusação demonstravam “vantagens indevidas em razão de cargo político e uso de estrutura partidária para obtenção de propina”, reforçando a gravidade do caso.

O julgamento terminou com placar majoritário pela condenação, e a pena imposta a Collor ultrapassa oito anos de reclusão, a ser cumprida inicialmente em regime fechado.

Com a nova determinação, a defesa deverá apresentar esclarecimentos sobre o episódio da tornozeleira até a próxima semana. Caso o ministro entenda que houve descumprimento deliberado da medida cautelar, Collor pode perder o direito à prisão domiciliar e ser transferido para unidade prisional.

Paralelamente, o Supremo também deve analisar as informações prestadas pela Secretaria de Ressocialização de Alagoas sobre o atraso na comunicação, que será avaliado em conjunto com o relatório de monitoramento eletrônico.

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A expectativa é que o gabinete de Moraes decida sobre possíveis sanções adicionais ou revisão do regime de cumprimento de pena nas próximas semanas.

O episódio reforça o acompanhamento rigoroso que o Supremo tem mantido sobre condenações relacionadas à Lava Jato, especialmente no tocante à execução penal de ex-agentes políticos.

SÃO PAULO WEATHER