Moraes cobra governo brasileiro para acelerar extradição de Carla Zambelli da Itália

Moraes cobra governo brasileiro para acelerar extradição de Carla Zambelli da Itália
Magistrado afirma que garantias sobre prisão já foram enviadas e pede providências ao governo/Valter Campanato/Agência Brasil
Publicado em 20/05/2026 às 17:00

Da Redação de LexLegal

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), cobrou que o Ministério da Justiça e Segurança Pública e o Ministério das Relações Exteriores adotem medidas urgentes para concretizar a repatriação forçada da ex-deputada Carla Zambelli.

A ordem judicial responde a um questionamento de órgãos técnicos do governo federal sobre a exigência de relatórios detalhados a respeito das condições carcerárias que aguardam a ex-parlamentar em solo brasileiro. Tais salvaguardas humanitárias são exigidas pelo governo europeu para autorizar o envio de cidadãos ao exterior.

Leia também: Aneel aprova repasse de R$ 5,5 bilhões para reduzir conta de luz no Norte e Nordeste

A cobrança do magistrado busca destravar o impasse burocrático que cerca o processo internacional. Em despacho assinado nesta quarta-feira (20), o ministro esclareceu que a documentação exigida, contendo a tradução oficial para a língua italiana, foi entregue às autoridades competentes do Executivo há seis meses para repasse diplomático ao Judiciário em Roma.

A ex-deputada viajou para a Europa em junho do ano passado depois de receber uma condenação de 10 anos e 8 meses de reclusão por capitanear a invasão hacker aos bancos de dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

A manifestação do ministro e o destino carcerário da ex-parlamentar

A determinação do STF visa acelerar os trâmites de transferência entre os países, cobrando empenho das pastas comandadas pelo governo federal para evitar a paralisia do processo de extradição, que é o mecanismo jurídico de cooperação internacional pelo qual um Estado entrega uma pessoa condenada ou processada para outro país exercer a sua competência penal. O ministro rechaçou a necessidade de novas manifestações da Corte antes do envio definitivo da ré ao Brasil.

“Tendo em vista o exposto, DETERMINO a expedição de ofício ao Ministério da Justiça e Segurança Pública (Coordenação-Geral de Extradição e Transferência de Pessoas Condenadas) e ao Ministério das Relações Exteriores, para que adotem as providências necessárias à efetivação da extradição” diz Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal.

Caso os recursos na Europa sejam esgotados e o desembarque em território nacional seja autorizado, o plano de execução penal prevê o recolhimento imediato da ex-deputada na Penitenciária Feminina do Distrito Federal, complexo de segurança conhecido como Colmeia.

Dupla condenação no Supremo e os recursos pendentes em Roma

A situação jurídica da ex-parlamentar se agravou após o julgamento de uma segunda ação penal no Brasil, na qual recebeu a pena de 5 anos e 3 meses de reclusão. Os crimes imputados foram constrangimento ilegal e porte ilegal de arma de fogo, decorrentes de um episódio ocorrido em outubro de 2022 em São Paulo, quando a então deputada empunhou uma pistola em via pública e perseguiu um homem na véspera do segundo turno das eleições gerais. O acúmulo de penas motivou o aditamento dos pedidos de repatriação expedidos pelo Estado brasileiro.

A Corte de Apelação de Roma proferiu duas decisões favoráveis ao envio da ex-deputada, chancelando os argumentos das duas condenações criminais brasileiras. A equipe de advogados de defesa tenta reverter a ordem por meio de contestações enviadas à Corte de Cassação da Itália, órgão equivalente ao tribunal superior, sob a tese de que a cliente enfrenta perseguição de natureza estritamente política no Brasil. Mesmo com o aval dos tribunais europeus, o ato final depende de uma decisão política do ministro da Justiça da Itália, que detém o poder soberano de vetar ou assinar o decreto de entrega.

Veja também: AGU defende inconstitucionalidade de lei que reduz pena de condenados pelo 8 de Janeiro

Atualmente, a ex-deputada permanece presa preventivamente no estabelecimento penal de Rebibbia, situado na periferia de Roma, aguardando o encerramento das discussões diplomáticas e recursais sobre a sua transferência para o sistema prisional do Brasil.

SÃO PAULO WEATHER