Montadoras travam embate com BYD por tarifas de carros elétricos no Brasil

Montadoras travam embate com BYD por tarifas de carros elétricos no Brasil
Disputa sobre tarifas de importação coloca BYD contra Anfavea e será decidida pela Camex/Arquivo/Agência Brasil
Publicado em 30/07/2025 às 16:00

Da redação de LexLegal

Uma disputa acirrada pelo mercado de veículos elétricos no Brasil colocou a fabricante chinesa BYD de um lado e as tradicionais Toyota, General Motors, Volkswagem e Stellantis, representadas pela Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), do outro. A entidade, com mais de 70 anos de atuação, divulgou nesta semana uma carta enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em junho, alertando que investimentos e empregos poderiam estar em risco caso o governo atenda a um pedido da BYD para reduzir temporariamente as tarifas de importação de veículos elétricos e híbridos desmontados.

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“Ao contrário do que querem fazer crer, a importação de conjuntos de partes de peças não será uma etapa de transição para um novo modelo de industrialização, mas representará um padrão operacional que tenderá a se consolidar e prevalecer, reduzindo a abrangência do processo produtivo nacional”, diz a carta, divulgada pelo presidente da Volkswagem, Ciro Possobom. O documento reforça que o setor automotivo planeja investir R$ 180 bilhões nos próximos anos e que a medida pode “colocar em risco esse ciclo virtuoso de fortalecimento da indústria nacional”.

A BYD rebateu as críticas e classificou a posição da Anfavea como uma tentativa de barrar a inovação. “É uma espécie de chantagem emocional com verniz corporativo, repetida há décadas pelos barões da indústria para proteger um modelo de negócio que deixou o consumidor brasileiro como último da fila da modernidade. A ironia é que enquanto as cartas se empilham em Brasília, os consumidores já tomaram sua decisão”, disse a fabricante.

A empresa chinesa defende que a redução da tarifa de importação seria temporária, até a finalização da fábrica em Camaçari (BA). “Isso não é nenhuma novidade, outras montadoras já adotaram a mesma prática antes de ter a produção completa local. O incômodo das concorrentes não tem a ver com impostos, nem com montagem, nem com empregos. Tem a ver com a perda de protagonismo. Com o fato de que um novo player chegou oferecendo mais e cobrando menos”, afirmou a companhia.

Decisão da Camex

O embate será analisado pela Câmara de Comércio Exterior (Camex), que se reúne nesta quarta-feira (30) em sessão extraordinária. O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), Geraldo Alckmin, explicou que o governo avalia mudanças na fase de transição para a elevação das tarifas de importação dos veículos elétricos e híbridos.

Segundo Alckmin, a alíquota de importação para veículos prontos era de 35% em 2023, enquanto os elétricos e híbridos eram isentos. A política do governo é aumentar gradualmente essa tributação até igualá-la à dos veículos a combustão. “Faça sua fábrica no Brasil, fabrique no Brasil, porque a alíquota vai ser igual a carro em combustão, que sempre foi de 35%, conforme a OMC”, disse o vice-presidente.

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Uma das soluções estudadas seria antecipar de 2028 para 2026 a alíquota de 35% pedida pela Anfavea e, ao mesmo tempo, estabelecer uma cota de isenção temporária para atender o pleito da BYD. “Você tem um imposto crescente e uma cota decrescente. Pode ser uma solução intermediária que atenda os dois lados”, afirmou Alckmin, lembrando que a Camex é composta por dez ministérios.

SÃO PAULO WEATHER